Inevitável é pensar neste assunto que volta a me ocorrer sempre que me distraio e deixo a mente vagar através de sentimentos para os quais eu gostaria de encontrar uma cura. Simplesmente não existe para onde correr quando o que nos atormenta insiste em surgir através de pensamentos e memórias. Então, melhor do que falar, fugir ou tentar me esconder de todo este fluxo de sensações, é escrever, escrever, escrever... Minha forma de escape, já que, por palavras ditas, tudo parece mais dolorido e torna-se mais real, o som dilacera a serenidade de que eu necessito quando preciso abordar este tema.
Acho que é a primeira vez na breve história deste blog que escrevo mais por necessidade pessoal do que na esperança de agradar aos que gastam alguns minutinhos lendo o que eu digo por aqui. O que se segue é apenas uma minúscula amostra de uma imensurável fonte das melhores e piores coisas que já senti nos últimos 10 anos. Talvez eu nem chegue a publicar, então terá sido um desabafo solitário, apenas uma desova de coisas que penso diariamente. Mas, se alguém além de mim chegar a ler isso, considero que superei mais uma vez o trauma de compartilhar essa miscelânea de fatos e sentimentos que eu normalmente reservo a pessoas muito próximas e em quem eu confio. Vocês não imaginam quanto custa, pra mim, expor certas fraquezas. Acho que posso considerar tudo isso minha kryptonita, o meu calcanhar que ficou vulnerável demais.
Embora me esforce para não pensar demais naquele dia, há 10 anos, flashs de uma sequência de acontecimentos surgem a todo momento em minhas lembranças. Não consigo estabelecer uma linha cronológica muito bem definida, mas muitas palavras soltas e imagens desconexas ainda são suficientes para remontar o cenário de 16 de setembro de 2000 que, ainda hoje, faz disparar meus batimentos cardíacos apenas por estar descrevendo isso aqui: eu estava no quarto do meu irmão, aproveitando que ele não estaria em casa para me expulsar de lá, fazendo minha tarefa de educação artística. A campainha tocou e, mesmo sendo um horário estranho para visitas inesperadas (noite de sábado), não estranhei. Só percebi que algo estava errado quando ouvi, muito longe, minha mãe dizendo que não queria ouvir o que quer que fosse que aquela visita vinha informar. Engraçado que, naquele instante, diante do desespero dela, eu também sabia do que se tratava. Ninguém precisou realmente colocar aquilo em palavras. O choro da minha mãe vindo em direção ao quarto do meu irmão e a mulher que viera dar a notícia repetindo “mas você precisa saber” diziam tudo. Eu também não queria saber, apenas saí do quarto para não ouvir a conversa e só consegui dizer pra minha irmã que algo tinha acontecido com o pai e o Rodrigo. O que era este algo eu não conseguia nem pronunciar, mas eu também sabia. Eu repetia “aconteceu alguma coisa” pra evitar dizer de uma vez por todas a verdade que eu ainda não estava preparada para ouvir ou formular com as minhas próprias palavras. Mas estava apenas adiando ouvir o inevitável: meu pai e meu irmão morreram. Estavam voltando para casa juntos e encontraram um caminhão em seu caminho. Simples assim.
No primeiro momento de choque, além de chorar (mais por eu saber que isso é o que se espera de quem passa por uma situação trágica dessas do que por vontade legítima), tudo em que eu conseguia pensar eram os sonhos do meu irmão que não se realizariam mais. Ele tinha 20 anos e cursava o 3° ano de Publicidade, era bom no que fazia e amava seu curso, seus amigos. Não via no fato de que precisava enfrentar diariamente uma viagem de mais de uma hora um motivo suficiente para desanimar dos seus planos. Também pensava no meu pai, que sempre tinha almejado um cargo de gerência no banco e finalmente tinha conseguido naquela cidade. Pensava nessas coisas grandiosas e óbvias que aparecem em primeiro lugar na cabeça de qualquer pessoa quando ela se visualiza nessa mesma situação. “Eu nunca mais vou poder falar e ver Fulano” é o pensamento que nos ocorre de imediato. Eu mal sabia que pensaria em muitas outras coisas depois.
Entretanto, estas muitas coisas precisaram ficar pra outra hora. Ainda era necessário cumprir os rituais de praxe: as condolências, os pêsames, escolher em que cidade seria o enterro, as roupas, avisar parentes, receber visitas que ficaram sabendo e quiseram passar um momento para dizer o quanto sentiam pela nossa perda. Sinceramente, não me sobrou muito tempo para ficar chorando em um canto e lamentando a tragédia que tinha acabado de ocorrer com a minha família. Vi tanta gente, ouvi tantos “meus pêsames” e “sinto muito” naquela noite, mas me lembro de um mínimo de pessoas que me cumprimentaram naquele dia, seja porque não sabia de quem se tratava ou por ter apagado isso da minha memória mesmo. Além das amigas de escola e vizinhança, a presença que realmente me marcou naquela noite foi da minha melhor amiga, a Fabi. Diferente dos outros, em vez de dizer uma frase feita e apropriada, ela simplesmente ficou lá em casa, do meu lado, até eu seguir viagem para o velório. Na hora de eu entrar no carro que me levaria para lá, meu último abraço da noite foi dela. Aí, sim, lágrimas sinceras de quem começava a se dar conta do que estava acontecendo vieram. Por um lado, porque eu estava partindo justamente para encarar os procedimentos inevitáveis a quem acabara de perder alguém da família. Mas o que mais me assustou era que eu enfrentaria aquilo tudo sem ela pra me abraçar e dizer que estaria comigo. Foi por medo que eu chorei. Medo de constatar que aquilo tudo era verdade, que, ao contrário da primeira sensação que me ocorreu, eu não me encontrava em uma dimensão paralela em que uma mulher maluca tinha tocado a campainha da minha casa para dizer que eu tinha perdido metade da minha família.
É desnecessário descrever em minúcias o que eu encontrei quando cheguei à cidade dos meus avós, onde aconteceram o velório e o enterro. Para resumir, muitos parentes, mais gente desconhecida, mais gente cumprindo sua obrigação social de ir prestar seus pêsames à viúva e às filhas. Depois que isso havia passado, me disseram que meus padrinhos, que eu não via há muitos anos, estavam lá e me abraçaram, sendo que sequer me lembro de ter visto eles. Acho que, a partir de um certo momento, minha cabeça entrou em piloto automático como modo de defesa para evitar pensar sozinha naquele terror. Eu simplesmente repetia “obrigada” a cada um que vinha me dizer que sentia muito e me preparava para o próximo desconhecido que viria se apresentar. Um ritual que, diga-se de passagem, me irritou antes mesmo de eu sair da minha casa. Não sei o que me irritava mais: se aquilo tudo fazer parte de uma obrigação social (caso não saibam, odeio ter que seguir regras de etiqueta superficiais feita por gente mais preocupada em ser educada do que em demonstrar sentimentos sinceros) ou se o fato de que cada pessoa que dizia sentir muito era uma martelada contínua na minha cabeça reforçando que meu pai e meu irmão haviam morrido. Mas segui tudo firme, a ponto de surgirem comentários sobre minha falta de lágrimas. Essa gente que “sente muito” é uma graça mesmo.
Então veio o momento de realmente raciocinar sobre o que eu estava passando. Pra começar, a primeira mudança sem os dois, a primeira vez em que minha mãe precisava tomar as rédeas da minha casa e tratar de detalhes que antes eram totalmente do meu pai. E coisas pequenas começam a se mostrar muito mais poderosas do que os sonhos do meu irmão: uma comida de que um deles gostava, um sapato que um deles esqueceu num canto, o pé da mesinha do computador desgastado pelas horas em que meu irmão permanecia com o próprio pé apoiado nela, os materiais de aula de ambos, as últimas roupas que ficaram para lavar e passar, os armários cheios de roupas preferidas, as camas vazias, aqueles horários em que os dois começavam a chegar, a cuia de chimarrão que meu pai havia comprado e mandado gravar “Arcílio” e “Aurora”, o chimarrão que meu pai preparava com tanto cuidado, a garrafa que tinha dado origem a uma piadinha do meu irmão no jantar (“essa garrafa é boa, não pinga... mas não dá pra fazer café pingado nela, hehe”), o chaveiro da porta do quarto que fazia aquele barulhinho característico quando meu irmão girava a chave, os cadernos com as letras dos dois... Coisas que a gente nota sem perceber e ganham uma dimensão inacreditavelmente dolorosa em situações como aquela. Mas, vazio mesmo, de causar até dor física, ocorreu quando eu vi uma propaganda tão boa que meu primeiro pensamento foi “preciso falar dela pro Rodrigo”. E, imediatamente, me ocorreu que eu não poderia mais falar disso pra ele. Eu não poderia falar de mais nada pra ele, ele não estava mais ali. Eu nunca mais ouviria o som da televisão dele ligada até de madrugada, eu nunca mais ficaria na frente do computador com ele olhando seus trabalhos de faculdade e admirando o talento que meu irmão tinha naquilo que ele escolhera fazer, desejando ter a metade da habilidade dele um dia. E nem ouviria mais meu pai dizer as frases típicas dele (“comigo é calça de veludo ou bunda de fora. Se eu fui pobre um dia, eu não me lembro). Engraçado constatar que as coisas mais cotidianas são as que mais me fazem falta ainda hoje.
E, dez anos depois, eu gostaria de dizer que esse vazio foi embora e que me lembro deles apenas com alegria. Mas não é assim. O vazio continua, a dor ao ver minhas fotos de família permanece, os pensamentos de como estaria minha vida se não fosse por aquela maluca entrando na minha casa num sábado à noite dando aquela notícia continuam a me atormentar. Fico imaginando como meu irmão estaria, se ele haveria conquistado um lugar e sua área profissional, se estaria casado. Constantemente me faz falta ouvir suas opiniões, é incrível como o que ele pensava me influenciava. Eu gostaria de saber o que ele teria achado do CD do Brandon Flowers, quais filmes atuais seriam seus preferidos. Eu desejo com todas as minhas forças ver a cara do meu pai e do meu irmão quando o Lula foi eleito presidente, afinal foram eles as minhas maiores motivações para gostar e me interessar por política. O que meu pai teria me falado quando eu passei no vestibular da UFPR? Que conselhos eu ouviria dele quando demonstrasse minha indecisão em relação ao meu futuro profissional? E, minha nossa, como eu queria meu irmão do meu lado quando o São Paulo foi campeão da Libertadores e campeão mundial. Ele teria chorado? Teria urrado com todas as forças quando o Rogério defendeu aquela bola praticamente indefensável? São coisas que eu nunca saberei porque havia um caminhão vindo no sentido contrário naquele dia.
São dúvidas com as quais eu preciso conviver diariamente, um dia de cada vez, pois não se passou um dia nesses 10 anos em que eu não tenha pensado neles. Apenas procuro não demonstrar porque tenho consciência de que eu já deveria ter superado isso, principalmente depois de tanto tempo. Também não desejo a piedade de ninguém, tanto que só falo sobre este episódio da minha vida com pessoas selecionadas, em quem eu confio plenamente e não tenho medo de demonstrar que ainda sofro por isso. Muitos já passaram pela minha vida sem nunca ter sabido sequer que um dia eu tive um irmão. Invariavelmente, o assunto “pai” surge em rodas de amigos, todo mundo tem pai, então uma hora eu preciso comentar rapidamente e sem detalhes que o meu morreu. Mas ninguém é obrigado a ter um irmão mais velho, por isso eu normalmente omito essa parte da minha vida. Falar pra quê? Pena não vai trazer nenhum dos dois de volta e não tem o poder de me ajudar em nada, por isso eu simplesmente prefiro manter o assunto e, principalmente, os sentimentos comigo, lugar a que eles pertencem. Sei que despejar amarguras ao vento não vai me livrar delas, então nem tento. Não me deixaram em nenhum momento nesses 10 anos, não vai ser de repente que vou conseguir.
E nessa semana em que se completam 10 anos do falecimento dos dois, tudo em que eu consigo pensar é na quantidade de coisas que os dois perderam e no tanto que eu perdi sem os dois aqui. Confesso, eu e meu pai não éramos melhores amigos, mas depois de algum tempo eu fui perceber o quanto sou parecida com ele. Mais do que com qualquer pessoa da minha família. Hoje entendo que o fato de nós dois termos tantas diferenças vem justamente do fato de sermos tão parecidos e igualmente geniosos. Por outro lado, no Rodrigo eu já reconhecia um exemplo, uma pessoa que eu admirava e me inspirava. Eu agradeço por ter percebido isso com ele ainda vivo, pois eu pude extrair dele muitas lições e herdar muitos gostos. Hoje eu compreendo que, mais do que dois membros da minha família, naquele dia eu perdi pilares importantes que me sustentavam, as pessoas com quem eu mais me identifico até hoje, mesmo que em um dos casos essa identificação tenha vindo tardiamente. Em compensação, os dois me deixaram a lição de que amanhã pode ser tarde demais pra dizer a alguém o quanto você a ama. E não é lição de moral piegas ou conversa de gente chata, é coisa de quem precisou passar por uma experiência traumática para aprender a valorizar cada pessoa que faz parte da sua vida hoje.
Um dia, meu pai admirou uma música que ele por acaso ouviu tocando na TV, e só mais tarde eu fui compreender sua essência. E, basicamente... Prefiro deixar que ela fale por si.



13 comentários:
Dentro de um mar de coisas que fiquei com vontade de escrever para você, porque também sinto coisas semelhantes por fatos que aconteceram, muitas vezes bem antes do que imaginamos, resolvi deixar só uma coisa: Essa música é linda!
Tá, só mais uma, sobre ter superado ou não... creio que esse acontecimento não é algo para ser superado, as pessoas falam e falam sobre superação, mas no fundo devemos conviver com o sentimento... volta e meia me pego chorando pelos cantos ao ver fotos ou lembrar de momentos... o choro é a minha maneira de aliviar... cada um tem a sua... e eu não consigo me ver superando a saudade e o vazio de alguém.
Nossa, fiquei muito emocionado, Érika!
Nesses momentos de aflição, o combustível que move as nossas vidas é justamente as lições de vida que nossos amores eternos nos deixam.
A superação sempre vem, mas as perguntas que nunca serão respondidas ficam ali, estásticas, imóveis, aí acontece alguma situação e elas vêm a galope, como se quisessem deixar de existir.
Mas a vida é isso, afinal nem todas perguntam precisam ser respondidas.
Beijos*-*
Fiquei muito emocionada com o texto.
Já tive perdas na minha família, mas nada comparado com o laço de um irmão e um pai.
Como a Juliana falou, não é algo para ser superado. Querendo ou não, você sempre se lembrará dessa data e do acontecimento.
Mas, por mais doloroso que seja, você poderá encontrar forças nos seus amigos, na sua mãe, na sua irmã e dar valor a cada momento que passou com todos eles.
Acho que só assim você consegue esquecer um pouco o vazio que ainda existe e preservar na sua memória os bons momentos que passou com o seu pai e seu irmão.
:)
Se eu tivesse lido esse texto domingo passado não entenderia a profundidade dessas palavras e provavelmente sentiria apenas compaixão pela sua história. Hoje cá estou eu lendo o texto e, com os olhos secos após dias de choro e a incredulidade perante o fato ainda persistente, penso na loucura que é viver e passar por essas coisas.
Minha vida nesse momento parece estar metaforicamente representada no background desse blog. Tiraram uma dessas pedrinhas que formavam a estrutura da existência das pessoas que me cercam. Agora tenho medo que tudo desmorone ou, no mínimo, que esse vazio seja duro de suportar.
Talvez daqui a dez anos eu me lembre de cada detalhe como você. Talvez algum dia eu saiba externar isso de uma maneira tão bela e emocionada como você fez nesse texto. Talvez, como Vanessa disse, nós os reencontremos em outra vida, noutro lugar.
Por ora, desejo que aqueles que te amam saibam te dar o conforto e a paz que parece nos abandonar nos piores momentos.
Um grande abraço, Érika.
Me faltam palavras para expressar o que estou sentindo após a leitura do seu post, me vem tantas coisas na cabeça, estou tão confuso, enfim, não sei nem o por que postei um comentário, talvez pela necessidade de você saber que lí o post ou sei lá. Pronto, sem mais.
Também tô sem palavras, fiquei com os olhos cheios de lágrimas aqui. :~
Não posso dizer que estou sem palavras, pois eu já senti como é perder alguém que a gente gosta muito.
Há cinco anos eu perdi minha avó. Foi horrível quando minha mãe me acordou, me levou para o quarto dela e disse que a mãe dela tinha morrido. Sério, não sei o que eu senti no momento da notícia. Mas não pareceu real, mesmo vendo minha mãe chorando.
Mas quando buscaram a gente aqui em casa, enquanto íamos para a casa da minha avó, eu fui percebendo o que tinha acontecido. E quando cheguei lá e vi meus primos chorando... foi tudo o que faltava para confirmar.
Nossa, não sei se é "dor" o que gente sente. Eu sei que chorei muito naquele dia, mais do que qualquer pessoa lá. Mais mesmo que os próprios filhos da minha avó. E hoje dá uma saudade imensa de ouvir a voz dela, de ver seus olhos azuis... cara, só lembrei dela lendo seu texto. E me baqueou aqui.
Engraçado é que se eu tivesse lido esse post há uma semana, eu iria pensar "nossa, que triste e bonito" e ia sentir muito por você. E engraçado como que em uma semana tudo pode mudar, e mais engraçado é que tudo mudou pra mim na mesma semana que tudo mudou pra você. E como você expressou muito do que eu venho sentindo e não sei explicar. Desde os mais simples objetos até os "procedimentos sociais". Esse post me deu parte de uma força que eu preciso e não adquiri completamente. E eu não sei mais o que escrever.
Não tenho palavras, tô chorando muito aqui. Me identifiquei muito em algumas partes...não consigo mais escrever
Não consigo de imediato conter as lágrimas que descem. Ao ler o seu texto, lembrei de Eduardo, um sofrimento individual pouco diferente, mas que se iguala pela narrativa da situação. É uma dor, que acredito não ter explicação nem palavras prontas, simplesmente permacemos calados, pois só quem passa por isso consegue sentir. Podem existir palavras de conforto, mas nunca apagarão essas marcas dolorosas.
Ainda tive forças para escrever essas palavras... Deixo aqui os meus verdadeiros sentimentos e fico feliz em tê-la conhecido através da escrita e por intermédio de Du (Eduardo). Grande abraço!
Hum, eu li, me comovi... O que se diz diante disso?
Érika, que texto lindo. Lendo isso eu pensei em como me sentiria se meu irmão e meu pai morressem, ainda mais dessa forma, e eu não consegui conter as lágrimas.
Me identifiquei muito com você nas partes dos procedimentos sociais e decomo todos esperam que você tenha uma reação, se você é mais reclusa, acham que você não sente. Como se importasse...
E sobre já dever ter superado, aredito que não existe tempo. Mais do que isso, não existe uma superação, de fato. Você aprende a conviver com isso, mas ainda vai doer...Sinto muito se não era isso que queria ler, mas essas coisas não se vão... A gente acaba sendo forçado a dizer que superou e fingir que não pensa mais naquilo, mas todos estão mentindo. Essa dor diminui por um tempo e volta, com toda a força, do nada e a gente se acostuma.
A vida é tão rara.
Érika,
Hoje a tarde, no meu serviço, eu estava lendo colunas da Folha. Cansado, eu fui procurar outras colunas que conhecia. Entrei em uma de um professor antigo meu, naveguei em mais algumas e lembrei que eu gostava de ler seus posts revoltados do blog. Fui lá no estilo “Oba Oba”, vou ler as sacadas da Érika que são ótimas, não acesso faz meses...
Mas eu não encontrei um post de protesto. E depois que li o seu último post, eu não consegui ler mais coisa alguma.
Fiquei sem palavras. Tudo muito particular... Coisas tão suas que mesmo estando publicado parecem erradas de ler, ou mesmo de se comentar por um desavisado em uma monótona tarde de sexta-feira.
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