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Loucura, loucura, loucura!

Então vamos parar de dramas e pieguices neste blog feito de postagens esporádicas. Acho que meu forte é mesmo reclamar, sempre me parece ser mais interessante. Felicidade demais ou tristeza demais costumam ser origem dos piores textos que eu escrevo e dos quais eu sentirei mais vergonha futuramente. Portanto, acompanhem.




Podem me acusar de estar sofrendo de algum distúrbio de Peter Pan, mas quem me conhece sabe que eu levo animações muito a sério. É difícil algum filme causar maiores expectativas em mim do que boas animações (exceção para Harry Potter, por motivos óbvios). Em 2010, por exemplo, meu filme preferido foi Toy Story 3. Minha monografia de pós-graduação foi sobre a influência das trilhas sonoras nos filmes de animação, com embasamentos na análise das músicas usadas em WALL-E. O filme que mais marcou minha infância, junto com Os Goonies, foi A Bela e a Fera. Não que eu ache toda animação boa, lógico, mas eu gosto bastante do assunto e não me limito a apenas assistir aos filmes e ficar nisso. Quero comprar os DVDs, quero ter as trilhas sonoras, quero saber quem fez tudo. Um dia, depois de assistir Carros, fui pesquisar quem era o dublador do Mate, que é um dos coadjuvantes mais carismáticos na minha opinião de Pixar-maníaca. Nessa pesquisa, descobri que se tratava de Mário Jorge de Andrade, também dublador do Burro de Shrek, outro personagem que está entre meus preferidos. E essa coincidência fez com que eu me interessasse mais ainda em conhecer os processos de produção de animações.


Ultimamente, a profissão de dublador tem chamado bastante atenção do público em geral. O que antes era mais restrito aos fãs de anime está sendo propagado entre outros nichos e isso é ótimo. Podemos presenciar o reconhecimento de uma profissão à qual antes não se dava tanta importância, mas que agora tem rostos mais que conhecidos por fãs de filmes e séries. Mas isso abriu precedentes para uma estratégia de marketing que nem sempre favorece o espectador, e sim distribuidoras e estúdios cinematográficos: a escolha de artistas “famosos” em vez de pessoas que realmente dedicam sua carreira à dublagem. Isso não está errado, porque dubladores nada mais são que atores que têm na voz a sua forma de interpretar. Se um ator mais popular é competente também na dublagem, por que não? Está aí Orlando Drummond, que é um ícone da dublagem brasileira, pra provar que é possível ser as duas coisas. Alguém contesta a competência de um nome desses para a atuação e para a dublagem?

E aqui vai mais um mas: o problema começa quando o tal ator só é escalado para ter seu nome impresso em fonte maior do que à do título do filme no pôster e chamar a atenção do maior número de pessoas que se interessarem em ir ouvir a dublagem, não assistir ao filme. Então nos presenteiam com escolhas bizarras e somos obrigados a ter que ouvir Luciano Huck como dublador de Flynn Rider, em Enrolados. E todos choram, com razão.

A dublagem de Enrolados é uma das coisas mais mal feitas que eu já tive o desprazer de testemunhar como fã de animações. É um mistério pra mim como a Disney Brasil, reconhecidamente muito exigente com seus produtos, pôde permitir que uma escolha infeliz dessas arruinasse quase completamente um filme. Sinceramente, eu prefiro animações nas suas versões dubladas, elas normalmente são muito melhores, pois há uma liberdade maior em adaptar os diálogos conforme nossa cultura. Raras são as exceções em que o original fica melhor. Nem Shrek, com Eddie Murphy, Cameron Diaz e Antonio Banderas, supera a versão brasileira. Palavra de quem já assistiu às duas versões repetidas vezes. Daí vem a senhora Disney e me obrigada a baixar o filme pra poder assistir a versão original. E depois querem processar sites de compartilhamento de arquivos e torrents! Faça-me o favor.

Luciano Huck não tem a menor capacidade pra atuar, e isso pode ser notado até na forma como ele dubla. Ele. Não. É. Ator. Eu desejo saber, do fundo do meu coração, se alguém responsável pelo processo de dublagem desse filme ouviu isso pronto e decidiu deixar do jeito que estava mesmo depois de ouvir Huck assassinando o personagem lentamente a cada linha de fala. Não tinha um ator melhor e igualmente conhecido pra fazer isso? Seriously? Essa dublagem é uma afronta aos fãs de animação. Pior: o filme é muito bom! Flynn Rider é um personagem ótimo, engraçado, um protagonista interessante. Este é um caso em que a dublagem realmente comprometeu a qualidade do filme inteiro, o que é perceptível mesmo para leigos que não se preocupam tanto com esses “detalhes”. Fui procurar opiniões sobre o filme pra saber se eu que sou implicante demais e descobri que muita gente pensa como eu. Não li uma crítica positiva em relação ao Luciano Huck. Não uma crítica embasada, porque né, sempre tem aqueles fãs que adoram dizer em caps lock que DESCORDO PLENAMENTE!!!! A DUBLAGEN TAVA MARAVILHOSA O LUCIANO HULK EH ECELENTE EU AMO A PIXAR (N.d.A.: eu sei que Enrolados não é Pixar, just for the record). Adoro os filmes da Disney, muitos deles estão entre meus preferidos, mas esse foi um belíssimo tiro no pé. Aposto que muita gente deixou de gostar do filme por causa da dublagem, não pelo enredo em si.

Sério, Disney, por quê? Ouve-se tanto falar que tudo precisa passar pelo crivo dos licenciadores, que se costumam censurar palavras que eles julgam inadequadas para certas idades, que tudo precisa estar dentro de uma lista imensa de critérios... E o filme INTEIRO com uma dublagem indigna para o nível da Disney, ninguém viu? Não faz o menor sentido. Seria realmente o caso de algum responsável dar um retorno ao público, mesmo que para colocar panos quentes e dizer que o Luciano Huck se esforçou muito e deu o melhor de si.

Minha esperança é de que o DVD seja lançado com a dublagem do Raphael Rossato, que chegou a dublar os trailers e todas as canções do filme (as músicas, aliás, ficaram excelentes). Mas se nem toda minha indignação foi suficiente pra convencer, vejam/ouçam vocês mesmos e discordem se tiverem coragem.

Primeiro, o original, com o Zachary Levi (dizem que é um tal de Chuck... Sorry, não vejo)




A dublagem feita por Raphael Rossato, um profissional:



Agora é LOUCURA, LOUCURA, LOUCURA!




Sem mais a declarar.

Homens discutem (e como discutem! ) Crepúsculo


Olá pra você que está acostumado a ler minhas opiniões por aqui. Hoje brincaremos de algo um pouco diferente. O Arthur Melo (sim, o grande ADPC¹) pediu pra que eu cedesse um espaço pra ele hoje, afinal ele ainda não tem um blog próprio além daquele de cinema lá. Então o texto que se segue é dele, a opinião é dele, a culpa toda é dele. Eu só aluguei o terreno.

Sem maiores explicações, deixo meus queridos leitores com o Arthur.

¹ Arthur Do Pipoca Combo


* * *

Crepúsculo: a visão de quem NÃO inveja o Edward
Por Arthur Melo


Porque né, inveja... Disso?


Eu deveria estar fazendo uma resenha que encerrará uma das matérias destes últimos períodos da faculdade. Mas eu cometi a imbecilidade de dar uma passada rápida no Orkut e caí que nem um pato em um tópico da @erikaczb, postado em uma comunidade frequentada por nós e outros tantos amigos. O tópico em questão era sobre o bate-rebate entre Maurício Saldanha (do popular Cabine Celular) e o crítico de cinema Pablo Villaça (excelente em sua profissão, um tantinho chato no Twitter), do Cinema em Cena. O motivo? A Saga Crepúsculo e seus respectivos vídeos abordando a série, desencadeados pelo lançamento do mais recente filme, Eclipse.

Se um ou outro está tentando se promover, isso não entra em discussão aqui. Mas eu confesso que me senti atingido pelas inverdades proferidas pelo MS (vou abreviar o nome de ambos daqui para frente) em seu vídeo – o que é muito curioso, porque, normalmente, são as verdades que queremos esconder que alfinetam a gente. A questão é que alguns de seus pseudo-argumentos são tão inquietantes que eu me vejo na obrigação de desmenti-lo. E, como o PV disse em seu vídeo, não há melhor forma de responder/comentar/debater do que argumentando bem e, claro, dando exemplos. Pois bem. Eis aqui um exemplo em ação.

Antes de iniciar de fato (eu prometo que farei isso sem enrolar mais do que já o fiz), quero deixar claro que, caso a proprietária deste blog me permita tomar emprestado este espaço apenas por hoje, isso não significa que ela está de acordo com tudo o que for falado aqui, e nem que divide comigo as opiniões e argumentos – sejam parciais ou em sua totalidade. De qualquer forma, como eu bem prometi a ela (NdB: ele tinha prometido que esse blog sairia dia 01/07. Espero até agora.), em breve criarei um blog para incitar a discussão de um bando de coisa broxante ou excitante que vejo pelo mundo – estresses proporcionados por comentários idiotas de pessoas no Twitter podem vir a se tornarem gigantescas teses. Assim, como ainda não construí minha casa, vim pedir abrigo nesta noite de tempestade.

Vamos lá. Como bem disse o @gabrielvilela no tópico supracitado, o que pode ter levado o PV a gravar e publicar um vídeo resposta para o MS é bem aquilo que o mesmo comenta no finalzinho. Para alguns, cinema é religião. Para alguns, ouvir e ter de engolir certas coisas, sabendo que tantas mentes serão infestadas por esses raciocínios chulos já mastigados e errôneos, é frustrante. É como saber que uma mentira está sendo proferida e você não pode fazer nada. Por sorte, ele tem alguma projeção no meio, e logo tratou de desfazer a besteira.

Como alguns sabem – me refiro ao círculo mais próximo – eu também escrevo minhas críticas no meu site, Pipoca Combo. Por vezes fui atacado e xingado por não ter sido tão benevolente com alguns filmes que possuem legiões de fãs. O último foi Percy Jackson. Para minha felicidade, algumas opiniões mudaram depois que o filme estreara e houve até pedidos de desculpas. Ok, isso não vem ao caso. É de Crepúsculo que estamos falando.

Bom, sou homem, vez ou outra tenho um surto de altruísmo, sei ser simpático e acredito que já fui mais romântico. Isso me faz incapaz de ler e compreender Crepúsculo? Não. Até porque, qual a dificuldade de extrair daquele monte de páginas o que Stephenie Meyer quer passar? Nenhuma. A verdade é que eu simpatizei (eu juro que é verdade) com Crepúsculo, no início do livro. Quando o li, ainda não havia filme, não havia tanta histeria e, portanto, ninguém pode me acusar de que desgostei só porque não queria me render a uma modinha ou só porque eu sou fã declarado de Harry Potter. Convenhamos, àquela época (e ainda hoje), Crepúsculo não era ameaça para ninguém. Quem conhecia aquilo? Ocorre que li devagar, no meu tempo, com cuidado e certo interesse; do início ao fim. Queria muito saber como o romance iria terminar e a que passo estaria Bella quando o ponto final fosse dado. Mas, em nenhum momento, deixei de notar os problemas.

Certo. Faço críticas de cinema e estou bem acostumado com isso. Mas eu sou estudante de Letras e, pelo o que me consta, ao cabo de sete períodos e tendo sempre excelentes resultados nas matérias de literaturas (por mais que eu sempre achasse que não estava indo bem), acho que isso me dá alguma autoridade – pequena, tudo bem – para comentar a “obra” (e aqui eu posso me dar ao luxo de estar minimamente mais seguro do que o Villaça neste ponto, apesar dele ter demonstrado um ótimo conhecimento em seus comentários que rondavam o campo literário). Meyer é, mesmo, ruim. Na forma (o que confesso que levei mais do que 35 páginas para confirmar) e no conteúdo (caiu a ficha no segundo capítulo). Seus períodos (estou falando de gramática), demasiadamente longos, demonstram um despreparo gritante em resumir ideias. Várias vezes insere conjunções e composições frasais para substituir uma palavra, acreditando estar construindo uma definição mais elaborada ou descrevendo com maiores detalhes um elemento da cena narrada quando, se olharmos bem, está moendo o mesmo grão duas vezes – infelizmente, não estou de posse do livro, não o sei de cor e não me prestarei a buscá-lo e procurar um trecho bem esdrúxulo para exemplificar (sim, porque para que algumas pessoas entendam que aquilo que amam é ruim, temos de sinalizar com neon, pessoas seminuas dançando em volta e ainda pedir para os Meninos Cantores de Viena declamarem).

No conteúdo, a problemática se agrava. Tentando não repetir outros argumentos do PV e até do Felipe Neto (que eu acho ultra tosco, mas, convenhamos, falou ótimas verdades no seu último vídeo), apenas recapitulo o quão mal desenvoltos são esses personagens. Quer dizer, Edward é um vampiro cuja única ligação com a popular imagem do mito é se alimentar de sangue. Presas, voar, virar pó sob o Sol, se transformar em morcego e pertencer ao lado das trevas foi abandonado. A coisa foi biologicamente reduzida demais: é apenas um ser humano que não envelhece, não possui mais reações fisiológicas e nutre suas forças com o sangue alheio, já que não o produz mais. Jacob é um lobisomem cuja única ligação com o então mito é se transformar em um lobo. Ou seja, o horrível galã Gary Oldman (oi, Saldanha) perdeu uma ótima oportunidade de atrair gritos e suspiros em Harry Potter e o Prisioneiro de Azkaban, porque se formos comparar, não enxergaremos diferença entre um e outro. Jacob é, apenas, um cãozinho maior. Vou criar um livro sobre um alienígena. Ele será um ser da nossa fauna que nunca fora visto antes por nenhum cientista. Será estranho, verde, terá cabeça grande, olhos desproporcionais, braços longos e pernas curtas. Olha, ele não veio de outro planeta, mas as características “principais” batem, tá? Então É UM ALIEN!!!!!!11111111

Bom, já a Bella é uma adolescente irritante, incapaz de conviver com amenidades da vida e por isso resolve ir morar com o pai, isolando-se do mundo que amava. Não é inteligente, não é tão bonita e está longe de ser aquela pessoa super alto-astral que você convida para um cinema. O que um sujeito de séculos de existência e experiências acumuladas veria nela? Mas se Bella, aquela porcariazinha, pode, isso quer dizer que todas as leitoras, se colocando no mesmo estado em constituição física e psicológica dela, também estão aptas, partindo de agora, a encontrar o seu príncipe encantado. Isso explica muita coisa.

Por um terço do livro, vemos a pobre e infeliz garota remoendo a nossa paciência enquanto ela ainda está a passos de descobrir que Edward é um vampiro. Na segunda parte desta divisão, vemos um romance que só não se compara aos da Sessão da Tarde porque nestes sempre tem um banho de loja na mocinha embalada por uma música daquelas que a gente toca pra ir fazer faxina em casa (Tipo “Walking on Sunshine”). Daí, no final, mas lá perto do final mesmo, Stephenie se lembra que ela não tem nada para criar um clímax. É, porque a não ser que a tal amiga Jéssica se junte ao descartado Mike para tentar separar Ed de Bella (Malhação feelings), não temos nada para empolgar. E, do nada, surgem os nômades. Sem nenhum contexto ou qualquer relação com a base mitológica – já inexistente – na trama, eles vêm e ameaçam a segurança de Bella. Uma incoerência tão desmoralizante para alguém que se põe a escrever uma história que seria o suficiente para enaltecer uma vergonha na mesma proporção com que os livros são vendidos. É tão lógico e humilhante que chega a parecer uma ofensa a quem está acompanhando esse desenlace à pressas; tão berrante e quase ensurdecedor que até tentaram emendar no primeiro filme da série. Uma lástima para quem aturou.

Já cheguei a duas laudas no Word e conseguiria apontar outros inúmeros problemas além dos que já comentei e os já citados por Villaça e Felipe Neto. Mas eu realmente preciso investir a minha vida em outra coisa que não seja falar de Crepúsculo hoje. Até porque, se já é ridículo três homens discutindo por causa disso, imagina quatro. Mas eu tive que fazer isto. Já ia surtar e sinto que novos argumentos serão lembrados depois de ler alguns possíveis comentários aqui.

Quanto aos comentários do Saldanha... Bem, eu li o livro, não o fiz “nas coxas” e nem decretei como lixo só por implicância. Mas estou acostumado a ler bastante coisa e até já me aventurei em livros bem ruins do público infanto-juvenil, como Percy Jackson. Ao menos no primeiro capítulo já era visível que ao menos a forma de escrita era de alguém que conhece os mecanismos que está usando. Nem isso acontece em Crepúsculo. E sou obrigado a dizer que devem existir rapazes de boa aparência que já tentaram ler ou assistir a algum filme da série e não gostaram por motivos próprios, os quais não obrigatoriamente seriam inveja do corpo ou do rosto (de quem, do Robert?? Pfff) dos protagonistas, porque talvez isso nem tenha sentido para eles, e, ainda, cujas namoradas são bem mais atraentes e simpáticas do que a Bella. Mas dizem que alguns sujeitos que malham pra caramba querem compensar alguma coisa. Quem tiver interesse, pergunte ao “Jacob Lautner”, pra mim tanto faz. A verdade é que eu não gosto de Crepúsculo, não faço musculação e não irrito o sexo oposto gritando no cinema toda vez que a Megan Fox desfila em cena. Acho que quebrei mais alguns argumentos do Saldanha.

Espero, com esse texto, não ter decretado desde já o fim de um blog que nem começou.



Obs: Se você não está entendendo nada do que foi dito aqui, eu, a dona do blog, aconselho você a ver ESTE vídeo, depois ESTE e, finalmente, ESTE.

Insira Aqui Um Filme: Oscar 2010

Acho desnecessário tecer comentários sobre meu gosto por cinema, afinal todos que me conhecem sabem que, vez ou outra, encarno a diplomada em cinema e escrevo umas críticas singelas pro Pipoca Combo, certo? O que vale ressaltar é que nós (do Pipoca Combo, claro) faremos mais um live blogging pra acompanhar a maior festa do cinema, bem como suas injustiças, bizarrices, as mal vestidas, aquela cara de nádega do ator que tinha por certo o prêmio e teve que se contentar em abrir um sorriso amarelo e bater palminha pro concorrente. E tenho que dizer que adoro tudo isso.

Mas não, isso tudo fica pra cobertura do Oscar. O que vim fazer aqui é consequência do que chamo de “Maratona Oscar 2010”. No que consiste? Bem fácil, consiste em assistir a pelo menos os 10 concorrentes a melhor filme. Por tabela, acabo conhecendo muitos outros candidatos dos outros prêmios, já que é condizente que um aspirante a melhor filme possua outros pontos positivos. Como todo o tempo que eu levei baixando torrents indo ao cinema não poderia ser todo utilizado apenas com um live blogging de algumas horas, decidi fazer aqui minhas considerações sobre os 10 candidatos. Logicamente também faço por ego: nunca antes na história do Oscar eu conheci todos os concorrentes antes da cerimônia. Quero fazer uma breve revisão de cada um, sem levar em conta aspectos técnicos, blá, blá, blá. É apenas eu e meu gosto, independentemente dele ir de acordo com a crítica especializada ou não. E dane-se que eu não faço cinema. Vamos lá.

Lembre-se: as chances citadas são em relação a “Melhor Filme” somente. Todos os links de críticas levam à página do Pipoca Combo correspondente à crítica do filme. Se não há link, ainda não há crítica.


* * *


Amor Sem Escalas (Up In The Air):
Crítica
Também concorre a: Melhor Diretor (Jason Reitman), Melhor Ator (George Clooney), Melhor Roteiro Adaptado e Melhor Atriz Coadjuvante (Vera Farmiga).

Sinopse: Um executivo solteirão encarregado de despedir funcionários de outras companhias adora viajar e colecionar milhas em voos. Um dia chega uma garota na empresa propondo uma forma de executar o mesmo serviço sem que sejam necessárias essas viagens carérrimas. Ele, então, precisa ensinar a ela como demitir pessoas. Em determinado momento, ele conhece uma mulher bastante parecida com ele e começa com ela um relacionamento.

- Minha visão completa pode ser lida naquele link acima se você tiver paciência depois de tudo isso. Vencedor do Globo de Ouro de melhor roteiro, pra mim não passa de um filme um pouco acima do comum por não ser previsível, mas não é brilhante como todos andam falando. Aliás, que nome infeliz. Eu gostaria de saber se quem traduz esses títulos assiste aos filmes antes de cometer essas atrocidades. Galera, não é comédia romântica! Pra que usar a palavra “amor”? Em Portugal ele virou “Nas Nuvens”... Soa estranho, mas faz mais sentido. Chances de Oscar: zero.


Avatar (Avatar):
Crítica
Também concorre a: Melhor Diretor (James Cameron), Melhor Direção de Arte, Melhor Fotografia, Melhor Edição, Melhor Trilha Original, Melhor Mixagem de Som, Melhor Edição de Som e Melhores Efeitos Especiais.

Sinopse: Os homens descobriram que o planeta Pandora é rico em um recurso natural de cujo nome eu não me lembro agora. Para explorar o território, os humanos criaram uma espécie de segundo corpo, justamente chamado de Avatar, capaz de se infiltrar neste novo mundo. Jake toma o lugar do seu irmão morto e assume seu avatar, pois não tem nada a perder (paralítico, sem família, etc). Lá conhece o povo Na’Vi e Neytiri, princesa e prometida a outro guerreiro.

- Os fãs desse filme dividem-se em duas frentes xiitas: os haters e os lovers. Encontro-me no centro desta briga. Um filme que passa Titanic em arrecadação na bilheteria, mesmo com um ingresso muito mais caro, estava fadado a levantar tanta polêmica. Só digo que adorei o filme e o Oscar de efeitos especiais sempre foi dele. James Cameron é um nojento esnobe, mas soube utilizar a fortuna que gastou e o tempo em que ficou de molho em alguma suíte de luxo por aí pensando no sucessor de Jack e Rose. Roteiro clichê, coisas previsíveis, mas é tudo tãããooo lindo de se ver na tela que os defeitos não impediram o sucesso. Chances de Oscar: a Academia não consegue se manter neutra diante de um faturamento e 2 bilhões, então uns 99%? Os prêmios técnicos, quase todos, já são dele.


Bastardos Inglórios (Inglorious Basterds):
Crítica
Também concorre a: Melhor Diretor (Quentin Tarantino), Melhor Roteiro Original, Melhor Ator Coadjuvante (Christoph Waltz), Melhor Fotografia, Melhor Edição, Melhor Mixagem de Som e Melhor Edição de Som.

Sinopse: Os tais Bastardos do título são um grupo judeu de extermínio aos nazistas. Liderados por Aldo Raine (Brad Pitt), conseguem ser tão cruéis quanto o próprio exército a serviço dos ideais de Hitler. Ao mesmo tempo, conhecemos a jovem Shosanna Dreyfus, que viu sua família ser brutalmente assassinada a mando de Hans Landa e, mais tarde, elabora um plano de vingança contra os responsáveis pela tragédia.

- Confesso que os filmes do Tarantino nunca me impressionaram como eu tenho a sensação de que deveria ser. Muito sangue, luta e tortura nunca foram um atrativo pra mim (mulherzinha, mimimi). Mas este filme em especial me conquistou de primeira. Aquelas confabulações em paralelo, os diálogos, os personagens (ênfase a Brad Pitt que está sensacional), enfim, tudo se completa. A violência toda é justificável e acaba ficando até elegante em algumas situações. Além de tudo, é uma visão diferente sobre o nazismo – estamos acostumados a ver os judeus como vítimas impotentes e sem poder de reação, mas aqui eles saem das tocas. Chances de Oscar: aquele 1% que faltou a Avatar. Pelo menos é a minha torcida.


Distrito 9 (District 9):
Crítica
Também concorre a: Melhor Roteiro Adaptado, Melhor Edição e Melhores Efeitos Especiais.

Sinopse: Para a insatisfação dos humanos, alienígenas se instalaram na Terra e tentam sobreviver com muita precariedade. Enquanto executa o serviço de apresentar ordem de despejo para os aliens, Wikus é contaminado e, gradualmente, começa a se transformar em um deles.

- Brilhante. Qualquer outra coisa que eu possa dizer sobre este filme é puro adorno. Assim como em Bastardos Inglórios, aqui também se tem um outro ponto de vista de uma situação já explorada no cinema (a invasão dos alienígenas). Em vez de americanos hasteando uma bandeira e declarando o dia da derrota dos invasores como o Dia da Independência, temos uma amostra de como o ser humano consegue ser mais cruel do que as criaturas horrendas que se aglomeram em favelas e vivem em condições humilhantes. Extremamente metafórico. Chances de Oscar: não acredito que ganhe, mesmo sendo ótimo candidato e certamente um dos que eu mais gostei na lista. Então é zero.


Educação (An Education):
Crítica: coming soon. Eu mesma farei, prestigiem futuramente.
Editado: Crítica já publicada
Também concorre a: Melhor Atriz (Carey Mulligan) e Melhor Roteiro Adaptado.

Sinopse: Jenny é uma adolescente muito inteligente, dedicada aos estudos, amante da arte e sonha conhecer a França. Entra em sua vida David, um homem mais velho que deslumbra a jovem com um mundo mais glamuroso do que a estudante poderia sonhar ou, segundo ela pensa, conquistar apenas com os livros.

- O que mais me impressionou neste filme foi descobrir que a protagonista, que interpreta uma menina de 16/17 anos, tem, na verdade, 23. E enquanto eu assistia ao filme, pensava que colocaram uma garota jovem demais pro papel. Enfim, é um filme ótimo também, com certeza muitos estudantes universitários – ou que sonham em ser algum dia – vão se identificar com a Jenny. Quem nunca se perguntou se todo o esforço dos estudos um dia valeria a pena? Sempre bate esse desespero em época de provas e vestibular, a concepção do mundo balança, os valores se abalam e somente quem tem coragem não se deixa vencer por essas dúvidas. Chances de Oscar: se a lista ainda fosse composta por 5 títulos, certamente Educação não estaria lá. Zero.


Guerra ao Terror (The Hurt Locker)
Crítica
Também concorre a: Melhor Diretor (Kathryn Bigelow), Melhor Ator (Jeremy Renner), Melhor Roteiro Original, Melhor Fotografia, Melhor Edição, Melhor Trilha Original, Melhor Mixagem de Som e Melhor Edição de Som.

Sinopse: O filme retrata o cotidiano de um esquadrão antibomba no Iraque. E só.

- Pra mim, o mais cansativo da lista (não confunda com “pior”). O filme tem duração de 2 horas e praticamente a única coisa que os soldados fazem é desarmar bombas num ambiente desértico. O objetivo é alcançar uma tensão, mas isso feito à exaustão perdeu um pouco do valor. Uma hora você simplesmente consegue prever o que vai acontecer, não é surpresa. Muita gente gostou, mas eu ficava olhando os minutos pra acabar :( Chances de Oscar: eu acharia divertidíssimo que a ex-mulher do James Cameron tirasse pelo menos um prêmio dele, mas não acredito nisso. Zero.




Um Sonho Possível (The Blind Side)
Também concorre a: Melhor Atriz (Sandra Bullock).

Sinopse: Michael Oher, também chamado de Big Mike, é um jovem desajustado com dificuldades de aprendizado e um grande potencial para os esportes. Sua vida muda quando vai morar na casa de uma mãe de família solidária que luta pelo seu futuro. Inovador (sobe a placa de "ironia").

- Fica a pergunta: o que este filme, que não traz nada de novo, está fazendo aí? Ah, a lista tem que ter 10 títulos, lembrei. Outra pergunta: o que Sandra Bullok faz concorrendo a Melhor Atriz? Sabe-se lá. Chances: -5%.







Preciosa (Precious)
Também concorre a: Melhor Diretor (Lee Daniels), Melhor Atriz (Gabourey Sidibe), Melhor Roteiro Adaptado, Melhor Atriz Coadjuvante (Mo’nique) e Melhor Edição.

Sinopse: O filme conta a história de uma garota negra, pobre, obesa, analfabeta, abusada pelo pai, na segunda gravidez. A única coisa que sua mãe faz é ofendê-la verbalmente, quase sempre sentada no sofá em frente à TV, e aproveitar-se da neta, fruto dos estupros sofridos pela própria filha, para receber um benefício do governo.

- Você acha sua vida ruim? Assista a esse filme. É tudo tão absurdo que às vezes é difícil acreditar que alguém realmente passe por isso. A infelicidade fica, mais uma vez, por conta dos tradutores. Precious é sobrenome da garota, então qual o objetivo de traduzi-lo? Pior, acrescentaram um subtítulo (Uma História de Esperança) que eu me recuso a colocar. O atrativo do filme, além de uma participação de Mariah Carey (ela era atriz?), são as atuações. A última cena de Mo’nique vale o filme inteiro e certamente minha torcida por Melhor Atriz Coadjuvante. O roteiro em si não me cativou tanto quanto muitos andam dizendo. Chances de Oscar: zero.


Um Homem Sério (A Serious Man)
Também concorre a: Melhor Roteiro Original.

Sinopse: O filme conta as desgraças por que passa Larry, um professor universitário. Sua mulher o traiu e está trocando por um colega seu, seu filho é um rebelde sem causa, sua filha uma menina fútil e reclamona, seu emprego está ameaçado por consequência de um aluno com nota baixa. O resto ainda estou tentando entender.

- Sinceramente, daqueles que você termina de assistir e fica “ok”. Típico filme que vai cair nas graças dos pseudo-cults do circuito cinematográfico e dos que gostam de tirar leite de pedra. Claro que se você começar a ver coisa onde não existe, achará o que quiser. O fato é que eu não gostei e nem odiei. Com certeza é um dos que só estão na lista pra que ela chegasse aos 10 títulos e pra Academia poder se vangloriar de que dá oportunidade pra coisas mais alternativas em contraste aos blockbusters. Chances: zero.





Up – Altas Aventuras (UP!)
Crítica
Também concorre a: Melhor Roteiro Original, Melhor Filme de Animação, Melhor Trilha Original, e Melhor Edição de Som.

Sinopse: Carl Fredricksen é um velho e rabugento viúvo. Na juventude, sonhava ir com a esposa Ellie até as Cataratas do Paraíso, mas o desejo nunca chegou a ser realizado. Entra em cena o garotinho Russel, um pequeno escoteiro que deseja receber sua última medalha de serviços prestados a idosos. Uma conjunção de fatos leva ambos a partirem para uma viagem num veículo peculiar: a casa de Carl movida a balões coloridos.

- Não é segredo pra ninguém: sou fã da Pixar, sou sobretudo fã de animações. São os filmes que eu mais aguardo e faço questão de vê-las no cinema, acho simplesmente fantástico do que elas são capazes e admiro sobretudo a arte nelas envolvida, o carinho, o trabalho minucioso, a dublagem. Este filme em especial tem os famosos minutos sem fala que retratam a vida de Carl e Ellie até a morte dela. De fazer chorar. Mas está na lista só pra ser “a animação que chegou a concorrer a Melhor Filme”. Só uma observação: é a única animação dos 10 melhores e concorre a Melhor Animação também. Ou seja, ele já ganhou ou a Academia realmente está esclerosada. Chances: zero.

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