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Windows 7, XP e FDP




O que fizeram no carnaval, caríssimos? Há quem goste de curtir a folia, vestir sua fantasia, sair nos blocos de rua e seguir o trio elétrico. Também tem o pessoal que prefere a alternativa de pegar a estrada, enfrentar o trânsito e ir torrar no sol de uma praia enquanto, sem perceber, ingere uma quantidade absurda de coliformes fecais típica de grandes ajuntamentos aquáticos (acompanhado sempre de inúmeros carros competindo entre si pra saber quem tem o aparelho de som mais potente da orla). Por último, há os que escolhem desfrutar da paz que se estabelece nas cidades grandes que desconhecem a existência da tradição carnavalesca. Como eu compartilho da opinião do Sr. K, escolhi o feriado para dar um upgrade no meu computador e atualizá-lo com o novíssimo Windows 7 que, segundo dizem, é bastante satisfatório.

Péssima ideia define.

Como Deus castiga quem adquire cópia de sistema operacional de forma ilícita, eu paguei um preço alto pela decisão de, enfim, formatar o computador. Desde o começo aquilo se encaminhava pra uma tragédia. Pra começar, a chave de registro que me passaram não deu certo e eu tive que usar uma outra. Por sorte a mesma pessoa¹ que me forneceu uma segunda alternativa estava aqui em casa e eu pude seguir com meus planos (o detalhe é que essa mesma senha que não funcionou comigo tinha dado certo em outro notebook, mas ok).

Continuei desafiando o mau presságio e dei continuidade com todo o processo como um cego que caminha direto ao precipício. Windows instalado, só alegria. Mas todo carnaval tem seu fim e a festa durou somente o tempo de eu trocar o papel de parede (faço questão de fazer isso primeiro, não me sinto “em casa” sem uma imagem bonitinha de fundo) e tentar instalar o modem pra continuar baixando os programas mais necessários que eu não tinha aqui. Aí, meus queridos, foi ladeira abaixo.

O modem não era compatível com o novíssimo sistema operacional da Microsoft. Isso mesmo, meu modem é tão ruim e desatualizado que eu não consegui instalar. Gastei minutos perdidos tentando evitar o pior, mas não teve jeito: simbora voltar pro XP, procurar drivers atualizados e voltar pro W7. Aí vocês me questionam: mas não tem outro computador com internet aí pra baixar o driver do modem e passar pro seu? Olha, até teria, mas não faria a menor diferença no final de tudo. Prossigamos.

Durante a reinstalação do Windows antigo, meu computador resolver dar ataque de pelanca e desligar sozinho no meio do processo. Desgraça pouca é bobagem e eu achei que tinha detonado completamente o negócio. Ia passar o carnaval sem praia, sem descanso e sem internet. Mas felizmente o problema foi resolvido com uma limpeza básica. O cooler (pra quem entende menos de informática do que eu, é aquele miniventilador responsável por resfriar tudo antes que o computador entre em colapso) estava obstruído e não conseguia cumprir sua função, então resolvia que, se ele não podia brincar, ninguém mais poderia. Faxina feita, o esquentadinho (ham? ham?) voltou a funcionar direito.

O que eu imaginei ser apenas temporário acabou por se mostrar definitivo. Procurei os tais drivers e cheguei à infeliz conclusão de que nem o fabricante do modem se deu ao trabalho de atualizá-lo porque só poucos idiotas como eu ainda usam essa desgraça pra se conectar à internet. No meio do caminho, também descobri que alguns dos meus programas não são compatíveis com o Windows 7 e futuramente seriam outras dores de cabeça.

Desisti de tudo, me resignei e reconheci a derrota. Continuaria com o XP. Pra descomemorar, vamos ouvir uma música? Não tinha problema que o iTunes, antes com quase 250 álbuns e 85GB de música, estivesse vazio. Um álbum bastava. Então...

Silêncio. Profundo, obscuro, hostil e intransponível silêncio. Corre pro gerenciador de dispositivos, pega CD da placa-mãe pra instalar os drivers de som. Nada. Meu computador estava com raiva de mim e continuou sem emitir um único sonzinho, nem o de inicialização do Windows. Depois de praticamente um dia perdido tentando resolver o problema porque eu tinha esperanças de que algo finalmente começaria a dar certo (não é possível uma pessoa mais azarada do que eu!), o diagnóstico é inevitável: formatação. De novo. E eu que já tinha me conformado de que ficaria com o XP de uma vez sou vítima de mais uma efedepetagem gigantesca uma vez que tinha dado início ao processo de reinstalar todos os programas e pegar os emoticons sempre perdidos nessas situações.

No fim, foram 2 dias totalmente perdidos porque eu não estou com o Windows 7 e o problema que eu achava se tratar de erro no sistema operacional foi facilmente resolvido com uma limpeza simples. E ainda tem gente que acha carnaval a maior festa do planeta...


¹ Identidade mantida em sigilio por responsabilidade jurídica.

Mídia velha: Rubinho feelings

Principalmente agora que convivo mais próximo de profissionais da área de comunicação (mesmo que alguns sejam bem limitados em relação à essência da palavra “comunicação”. Ainda discorrerei sobre), constantemente me encontro discutindo o papel da imprensa, da crítica, da internet. Principalmente internet. É tão engraçado e, algumas vezes, embaraçoso perceber que ainda tantos profissionais não estão preparados para a velocidade com que se recebe informação hoje.

Digo isso principalmente devido às últimas tentativas da TV em se adaptar à realidade mainstream dos jovens de classe média (ou da classe baixa que frequenta as lans, por que não? É nóis no morro pagando a hora pra surfar na web, mano!). Normalmente a inserção do que faz sucesso na internet chega atrasada às outras mídias e só representa uma novidade àqueles que não estão, digamos, “conectados” tão constantemente.

Esta nova temporada de Malhação é o mais recente e desastroso exemplo. Além da novelinha teen ter investido em divulgar bandas de gosto bastante duvidoso, agora também resolveu incluir personagens de personalidades completamente equivocadas. Gente, agora existe uma menina emo no negócio! Primeiramente, os emos já me parecem ter saído de moda há certo tempo. Eles eram muito zoados populares há um ano ou mais, mas foram substituídos pelos indies, a galerinha descolada from UK, uma geração que percebeu que franja do lado e roupas de estampa xadrez denunciavam-na para a sociedade. Mas nem mesmo a moda indie é hype como antes, outras coisas surgiram, as coisas se renovaram... E se estamos falando de estilos musicais, isso é ainda mais rápido. Hoje é muito difícil um artista se firmar como ídolo absoluto de uma geração. As coisas estão mais rápidas e obsoletas justamente pela velocidade com que as novidades nos chegam. Outra: a concepção de emo da Globo corresponde a uma adolescente retardada que confunde abraço com homeopatia (até isso é velho, já vi essa personagem no Carrossel, seu nome era Laura).

Aí a gente é obrigado a se deparar, ainda hoje, com capas de revista e matérias em jornais de grandes emissoras falando de Twitter como se fosse a grande novidade do ano. Queridos, isso era novidade em 2007, 2008... Hoje em dia, quem tinha que ter Twitter já tem! Quem não tem resistiu ao movimento dos 140 caracteres e pronto. Fora o constrangimento por que passam os famosos nessas redes de relacionamento. A vítima emblemática foi a Xuxa. Tadinha, se esqueceu de que não estamos mais na década de 80, que ela não desce mais de uma nave e nem a vida na internet é doce, doce, doce, a vida é um doce, vida é mel. Pensou que ia chegar botando as face de todo mundo no chão, ganhando faixa de rainha dos baixinhos e blé. Aham, Cláudia, senta lá. Mais recentemente, Luciano Huck, amigo da rainha, passou por situação igualmente desastrosa: reclamou que o Gugu faz quadros plagiados, sendo respondido prontamente pelo diretor da Record. Ah, Huck ainda é moleque, não pensa no que fala e teve que aprender que quem tem teto vidraça de vidro não deve atirar a primeira pedra. Por isso a Globo impõe certos limites aos seus funcionários quanto ao uso de redes sociais. Quem somos nós pra condenar uma empresa a podar seus contratados que desconhecem a selva de bytes que é o mundo binário?

Eu poderia escrever páginas de exemplos aqui. O Gugu só levou a Stephany Absoluta no programa dele quando a garota do Cross Fox já estava bastante saturada no Youtube. Não contente com isso, o SBT resolveu realizar um Esquadrão da Moda com a estrela decadente (episódio em que a piauiense ficou famosa por confundir um signo zodiacal com estado). Os programas da Globo estão abusando na participação popular, pedindo para que o público que ainda atura sua grade defasada mande vídeos caseiros em diversas situações (Garagem do Faustão, Fantástico, Amor e Sexo... preciso continuar?). Mas tudo isso chega com muito atraso à TV e não significa o mesmo para aqueles que não acompanham a informação da mesma forma que nós, viciados assumidos em internet.

Quer dizer, incluir coisas do cotidiano da web é fail para quem já se encontra atualizado, acaba virando notícia old, last week (ou year, no caso do Twitter). E quem não faz questão ou não pode estar 24 horas conectado simplesmente pega os restos da notícia, aquilo que a TV decidiu mostrar porque percebeu que já faz sucesso em outro meio. A conclusão a que chego é de que a imprensa atual é feita de covardes, que necessitam da certeza de êxito da notícia para apostar nela. Profissionais que só exploram uma novidade quando ela já deixou de ser coisa nova. Crepúsculo, Fantástico? Saiba que os fãs dessa série já sofreram mitose espontânea em fóruns de discussão. Lady Gaga? A mulher já está em seu segundo CD, já causou horrores com suas roupas e participações em premiações (quem não se lembra de seu cosplay vela de macumba no VMA?) e só agora vocês dizem para seu público que ela é a nova Madonna? E antes de vocês dizerem que o Twitter era febre, os usuários frequentes de internet já haviam se habituado às baleiagens e isso já tinha virado gíria pra algo que dá errado. Aliás, muito antes de qualquer um noticiar a morte do Michael Jackson, a twitterlândia já o sabia; antes de vocês noticiarem o pouso de emergência do avião no Rio Hudson, os usuários da mesma ferramenta também estavam informados sobre o fato. Vocês estão atrasados, estão sempre correndo atrás da notícia que já é notícia. Não adianta dirigir Ferrari se você nasceu pra ser Rubinho.



Obs: o constante uso de gírias, principalmente em língua estrangeira, é parte da estitlística do texto. Use o recurso com moderação.

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