Parem com as comédias românticas!


Inspirado em uma conversa com o Ti.



Querido diário,



Hoje fui com a Ju assistir a um filme que estreou nessa semana e ela queria muito ver. Era um filminho de amor/comédia meio bobo, mas ela queria muito ver. E, saindo do cinema, cheguei à conclusão de que eu definitivamente prefiro filmes de aventura, terror, fantasia... Qualquer coisa, menos comédia romântica. Comédias românticas são a coisa mais idiota do cinema, e eu vou dizer por quê.


A Ju acha fofo como as coisas acabam sempre bem, com uma trilha sonora alegre no fundo. Ela diz que dá uma sensação de esperança, de que ela ainda vai mudar o status do Facebook dela para “em um relacionamento sério” (daí para “noiva de” e de lá para “casada com”). Mas eu digo que isso só vale se você não for a outra parte da história, a que foi abandonada praticamente no altar para que o casal protagonista fosse feliz para sempre.

Pensa comigo. Toda comédia romântica não segue uma fórmula? Sempre fala de um homem e uma mulher que 1) se conhecem desde sempre, mas não percebem estar apaixonados; 2) se conhecem em uma situação em que nenhum dos dois gosta um do outro e acabam se apaixonando. O problema começa aqui: qualquer menina romântica pode escrever roteiro de filme assim, porque o começo e o final são sempre os mesmos. O meio da história muda um pouco, mas as pontas sempre são as mesmas.

Esse filme que a gente foi assistir, por exemplo, começa com um casal... opa, no começo eles não são casal, é só no final.... Enfim, começa com um homem e uma mulher que são amigos, ela dá pequenas demonstrações de que TÁ QUERENDO, e o cara nem tchum. Normal, homem demora pra perceber essas coisas mesmo (babacas!). Mas aí a mulher vai cuidar da vida dela, porque afinal não pode ficar esperando o lerdo tomar atitude, e vai embora. Então ela conhece outro cara, que pede ela em casamento e aí a gente já sabe o que acontece. O babacão lá do início percebe, FINALMENTE, o quanto a mulher era importante para ele e fica desesperado porque vai perder o amor da vida dele para um WHO qualquer que apareceu só depois dos 30 minutos iniciais de filme.

Não é injusto que tudo dê certo pra esse idiota? Enquanto ela estava disponível, nem percebia a menina fazendo de tudo por ele. E, quando ela consegue um marido pra chamar de seu, vai o cara atrapalhar a vida dela. De novo! E o ex-futuro-marido era rico, lindo, gostoso etc. Tadinho. Ele não tem culpa! Ele também merece ser feliz! Ou seja, comédias românticas não contam o tempo que a pessoa chutada pros créditos finais do filme gastou chorando, ouvindo música triste, odiando cada casal feliz que encontrava pela rua até conseguir superar a humilhação de ser trocado por outro(a) na prorrogação. QUE MUNDO É ESTE?

Além disso, incentiva aquele velho hábito que quase todo mundo tem de só dar valor ao que possui depois de ver escapando entre os dedos. Para mim, a mulher tinha que se apaixonar DE VERDADE pelo segundo cara e sambar nas fuças do primeiro, com direito a “baba, baby, baby, baba, baba” de trilha sonora. É pra torturar duas vezes mesmo: sentimental e musicalmente. Ele deveria ter ficado com a lição e aprender a olhar para o lado da próxima vez que uma garota legal desse condição. Você ignora sua alma gêmea durante toda a vida e basta chegar na hora do “quem tiver algo contra este matrimônio que fale agora ou cale-se para sempre”, tomar a noiva nos braços e ter seu final feliz? QUE MUNDO É ESTE?

Sério, comédia romântica só prova de que quem não merece acaba se dando bem e que gente apaixonada tem memória curta. E que você pode curtir sua vida à vontade enquanto a pessoa que você ama de verdade não tem um anel de compromisso no dedo. A partir daí, sim, você precisa se espertar. Mas para que perder tempo antes, não é mesmo? O outro idiota vai estar sempre esperando você adquirir a capacidade de reconhecer de quem você realmente gosta, então tudo bem.

Por isso eu prefiro aventura. Pelo menos eu sei que não vou ser morta por um monstro marinho ou carros que viram robôs gigantes.


Até a próxima,


Nanda.

Loucura, loucura, loucura!

Então vamos parar de dramas e pieguices neste blog feito de postagens esporádicas. Acho que meu forte é mesmo reclamar, sempre me parece ser mais interessante. Felicidade demais ou tristeza demais costumam ser origem dos piores textos que eu escrevo e dos quais eu sentirei mais vergonha futuramente. Portanto, acompanhem.




Podem me acusar de estar sofrendo de algum distúrbio de Peter Pan, mas quem me conhece sabe que eu levo animações muito a sério. É difícil algum filme causar maiores expectativas em mim do que boas animações (exceção para Harry Potter, por motivos óbvios). Em 2010, por exemplo, meu filme preferido foi Toy Story 3. Minha monografia de pós-graduação foi sobre a influência das trilhas sonoras nos filmes de animação, com embasamentos na análise das músicas usadas em WALL-E. O filme que mais marcou minha infância, junto com Os Goonies, foi A Bela e a Fera. Não que eu ache toda animação boa, lógico, mas eu gosto bastante do assunto e não me limito a apenas assistir aos filmes e ficar nisso. Quero comprar os DVDs, quero ter as trilhas sonoras, quero saber quem fez tudo. Um dia, depois de assistir Carros, fui pesquisar quem era o dublador do Mate, que é um dos coadjuvantes mais carismáticos na minha opinião de Pixar-maníaca. Nessa pesquisa, descobri que se tratava de Mário Jorge de Andrade, também dublador do Burro de Shrek, outro personagem que está entre meus preferidos. E essa coincidência fez com que eu me interessasse mais ainda em conhecer os processos de produção de animações.


Ultimamente, a profissão de dublador tem chamado bastante atenção do público em geral. O que antes era mais restrito aos fãs de anime está sendo propagado entre outros nichos e isso é ótimo. Podemos presenciar o reconhecimento de uma profissão à qual antes não se dava tanta importância, mas que agora tem rostos mais que conhecidos por fãs de filmes e séries. Mas isso abriu precedentes para uma estratégia de marketing que nem sempre favorece o espectador, e sim distribuidoras e estúdios cinematográficos: a escolha de artistas “famosos” em vez de pessoas que realmente dedicam sua carreira à dublagem. Isso não está errado, porque dubladores nada mais são que atores que têm na voz a sua forma de interpretar. Se um ator mais popular é competente também na dublagem, por que não? Está aí Orlando Drummond, que é um ícone da dublagem brasileira, pra provar que é possível ser as duas coisas. Alguém contesta a competência de um nome desses para a atuação e para a dublagem?

E aqui vai mais um mas: o problema começa quando o tal ator só é escalado para ter seu nome impresso em fonte maior do que à do título do filme no pôster e chamar a atenção do maior número de pessoas que se interessarem em ir ouvir a dublagem, não assistir ao filme. Então nos presenteiam com escolhas bizarras e somos obrigados a ter que ouvir Luciano Huck como dublador de Flynn Rider, em Enrolados. E todos choram, com razão.

A dublagem de Enrolados é uma das coisas mais mal feitas que eu já tive o desprazer de testemunhar como fã de animações. É um mistério pra mim como a Disney Brasil, reconhecidamente muito exigente com seus produtos, pôde permitir que uma escolha infeliz dessas arruinasse quase completamente um filme. Sinceramente, eu prefiro animações nas suas versões dubladas, elas normalmente são muito melhores, pois há uma liberdade maior em adaptar os diálogos conforme nossa cultura. Raras são as exceções em que o original fica melhor. Nem Shrek, com Eddie Murphy, Cameron Diaz e Antonio Banderas, supera a versão brasileira. Palavra de quem já assistiu às duas versões repetidas vezes. Daí vem a senhora Disney e me obrigada a baixar o filme pra poder assistir a versão original. E depois querem processar sites de compartilhamento de arquivos e torrents! Faça-me o favor.

Luciano Huck não tem a menor capacidade pra atuar, e isso pode ser notado até na forma como ele dubla. Ele. Não. É. Ator. Eu desejo saber, do fundo do meu coração, se alguém responsável pelo processo de dublagem desse filme ouviu isso pronto e decidiu deixar do jeito que estava mesmo depois de ouvir Huck assassinando o personagem lentamente a cada linha de fala. Não tinha um ator melhor e igualmente conhecido pra fazer isso? Seriously? Essa dublagem é uma afronta aos fãs de animação. Pior: o filme é muito bom! Flynn Rider é um personagem ótimo, engraçado, um protagonista interessante. Este é um caso em que a dublagem realmente comprometeu a qualidade do filme inteiro, o que é perceptível mesmo para leigos que não se preocupam tanto com esses “detalhes”. Fui procurar opiniões sobre o filme pra saber se eu que sou implicante demais e descobri que muita gente pensa como eu. Não li uma crítica positiva em relação ao Luciano Huck. Não uma crítica embasada, porque né, sempre tem aqueles fãs que adoram dizer em caps lock que DESCORDO PLENAMENTE!!!! A DUBLAGEN TAVA MARAVILHOSA O LUCIANO HULK EH ECELENTE EU AMO A PIXAR (N.d.A.: eu sei que Enrolados não é Pixar, just for the record). Adoro os filmes da Disney, muitos deles estão entre meus preferidos, mas esse foi um belíssimo tiro no pé. Aposto que muita gente deixou de gostar do filme por causa da dublagem, não pelo enredo em si.

Sério, Disney, por quê? Ouve-se tanto falar que tudo precisa passar pelo crivo dos licenciadores, que se costumam censurar palavras que eles julgam inadequadas para certas idades, que tudo precisa estar dentro de uma lista imensa de critérios... E o filme INTEIRO com uma dublagem indigna para o nível da Disney, ninguém viu? Não faz o menor sentido. Seria realmente o caso de algum responsável dar um retorno ao público, mesmo que para colocar panos quentes e dizer que o Luciano Huck se esforçou muito e deu o melhor de si.

Minha esperança é de que o DVD seja lançado com a dublagem do Raphael Rossato, que chegou a dublar os trailers e todas as canções do filme (as músicas, aliás, ficaram excelentes). Mas se nem toda minha indignação foi suficiente pra convencer, vejam/ouçam vocês mesmos e discordem se tiverem coragem.

Primeiro, o original, com o Zachary Levi (dizem que é um tal de Chuck... Sorry, não vejo)




A dublagem feita por Raphael Rossato, um profissional:



Agora é LOUCURA, LOUCURA, LOUCURA!




Sem mais a declarar.

Amizade: ambiguidade

E já que o @zirpoli tratou de espalhar meu texto mesmo depois de eu dizer que era apenas para um seleto grupo ler, bora postar no blog.



Amizade: ambiguidade
Por Érika Zemuner




Amizade é coisa frágil.

Leva-se muito tempo para construir uma amizade verdadeira. A confiança vai surgindo de forma gradual, conquistada com muita dedicação. Mas um erro e ela desmorona como caixas de cereal na prateleira do supermercado porque você queria aquela que estava escondidinha lá atrás.

Quando acontece uma identificação forte com seu amigo, vocês juram que não há nada no mundo que possa separá-los, que nunca haverá decepção ou mentira suficientemente forte que seja capaz de destruir o que foi construído. Vocês juram que não haverá mentiras ou decepções. Então um deslize acontece e uma briga, mesmo a primeira, pode ser suficiente para causar um dano irreversível.

Quando fazemos amigos, também criamos expectativas. Logo imaginamos como estaremos no futuro, que nosso amigo estará ao nosso lado sob qualquer circunstância, para vibrar junto com nossas conquistas ou para nos oferecer algumas horas do seu tempo quando as lágrimas são de tristeza. Aí a vida nos obriga a tomar diferentes caminhos, nós ficamos naturalmente mais distantes e, sem perceber, aquele amigo que estava nos planos do futuro torna-se um estranho em pouco tempo.

Fazemos questão de dedicar cada pouco tempo de nossas vidas a esses amigos, mas de repente a vida fica corrida demais e o amigo não é mais prioridade. E não é culpa de ninguém. A vida trata de separar sozinha pessoas que nasceram para completar umas às outras.

Amizade é coisa muito poderosa.

Quando bem cultivada, não há divergência que destrua a relação entre amigos verdadeiros. Aliás, amigos de verdade adoram discordar, porque sabem que a outra pessoa nunca iria abandoná-la ou virar-lhe a cara por causa de uma discussão.

Quando a verdade é o pilar de uma amizade, ela pode ser indestrutível. Porque não há coisa mais eficiente contra um relacionamento que a mentira. Então seu amigo irá entender seus erros e estará pronto para perdoá-lo com sinceridade, pois você também já precisou relevar outras coisas.

Não suportamos a forma como alguém da família deixa tudo bagunçado pela casa, mas em nossos amigos amamos até aquela característica mais irritante. E isso, no fundo, faz parte da personalidade dos nossos amigos, pois, sem esses defeitos, eles não seriam tão perfeitos.

Quando dois amigos se amam, não há distância ou tempo contra. Pode haver centenas de quilômetros ou meses e anos separando duas pessoas, mas cada conversa ou encontro apagam as adversidades. E é como se nunca houvesse uma separação.

Quando há amizade verdadeira, não são necessárias muitas demonstrações e provas de afeto. Um olhar é suficiente. Quando dois amigos de conhecem, um completa os pensamentos do outro, sabem o que o outro pensa apenas por um gesto, sabe que a pessoa não está passando por um bom dia num simples cumprimento levemente mais desanimado que o habitual.

Amigos sabem se comunicar por detalhes que ninguém mais percebe. Há um código que pertence apenas a eles, que eles conquistaram sendo cúmplices um do outro.

Amigos não têm medo de nos perder para outras pessoas, pois sabem que o que existe entre nós e eles é único e incomparável. Mesmo nas piores crises, há a certeza de que a pessoa voltará – decepcionado, pedindo desculpas, arrependido, mas voltará. E nós estaremos prontos para compreender e esquecer novamente, porque, oras, é isso que amigos fazem.

Amizade é uma coisa contraditória e complicada. E, normalmente, quando mais complicado algo é, mais vale a pena.

Divina tragédia: os 3 infernos


Não se deixe enganar pela falsa sensação pacífica. Esta foto deve ter sido feita num feriado.


Mesmo correndo o risco de ser óbvia e insistir em socar a mesma tecla, preciso expressar publicamente as últimas experiências vividas por mim nessas semanas que se passaram e, para o bem da minha saúde mental, terminaram. Mas não me alegro e nem me iludo, pois outras semelhantes virão (N.d.A.: olha, eu escrevi isso no final de setembro, mas é perfeito pro momento, então nem vou mudar a introdução).

A parte boa da última semana (ou meses) que se passou é que houve muito aprendizado. Aprendi que não devo ignorar a presença de um cálculo renal quando ele aparece. Isso demonstra uma propensão a desenvolver outros e pode levar você ao hospital num domingo à noite, quando a única pessoa com carteira e meia-coragem pra dirigir está viajando. Além disso, a pessoa mencionada pode voltar poota da vida, dizendo que dessa vez vai obrigar a filha relapsa a ir a um médico de qualquer forma, mesmo que a filhinha tenha completado 26 anos de pura irresponsabilidade com a própria saúde. Outra lição que guardarei pra vida toda é: nunca, em hipótese alguma, entre em um ônibus biarticulado em Curitiba caso esteja chovendo. Nunca.

Qual a relação entre ônibus e chuva? A mesma que chuva e trânsito; a mesma que fila e gente babaca; a mesma que atraso e sinal vermelho; a mesma que pressa e computador travado; a mesma que pressa e velhinhas na calçada; a mesma que sua vida e a lei de Murphy: na teoria, nenhuma. Mas essas coisas costumam se atrair numa freqüência de deixar qualquer monge maluco da vida. O ser humano deve ter sido programado pra entrar em pane total diante de uma situação de ajuntamento popular. Porque simplesmente não há explicação lógica para o comportamento das pessoas no meio da multidão, principalmente se a multidão é usuária do sistema público de transporte.

O pior disso tudo é que, possivelmente, eu ainda estou reclamando de um dos sistemas de transporte mais eficientes do país. Desculpa, mas ser “mais eficiente” diante de uma total falta de parâmetro não me serve. Não interessa se fulaninho lá no meio do país enfrenta mais dificuldades que eu. Os ônibus em Curitiba continuam superlotados, as pessoas continuam mal educadas, o trânsito continua estressante aqui onde eu moro. Digo isso porque, sempre que quero descontar minha frustração cotidiana com o planejamento urbano da cidade, tem alguém pra dizer que ouviu falar de alguém que pega vinte ônibus, dois metrôs e ainda anda quinze quilômetros pra chegar no raio que o parta. Engraçado que nivelar por baixo não era argumento quando eu estudava, ia “mal” numa prova (ficar 0,5 abaixo da média, sei lá) e dizia que todos os meus amigos também enfrentaram dificuldades. Sempre ouvia um “mas eu não sou mãe do fulano”. Agora, quando eu me sinto prejudicada moralmente, é válido usar a desgraça alheia. Pera lá, né.

Passei de desempregada para usuária de biarticulado(s). Não sei o que é pior. No início, como eu sou covarde demais pra me aventurar a usar uma linha que desconheço, ia com o micro-ônibus que passa aqui perto de casa até o centro e de lá pegava outro em que permanecia por apenas três estações-tubo. Mas aí essa conta começa a pesar no meu salário de assistente editorial e eu tive que sair e enfrentar a vida. Acompanhe: o dia começa com um Interbairros III tranquilo, uns 10 minutos de viagem até o terminal. No terminal é que começa o drama propriamente dito. Lá eu entro no Centenário/Campo Comprido. Não é possível mesmo que um ônibus com a palavra “campo” seja uma experiência edificante. Normalmente, espero uns dois desses passarem pra entrar em um mais tranquilo em que sobre pelo menos um caninho em que segurar (pois é, vida que eu tenho nego pena que é fácil). Sem maiores detalhes (que virão a seguir, aguarde), chego a outro tubo no centro e lá finalmente embarco no Santa Cândida/Capão Raso, que me deixará perto do trabalho.

O problema, no entanto, não é a viagem, não é o estado dos terminais de ônibus da cidade, não são as estações-tubo. O problema são as pessoas. Pessoas. Todas entram em tamanho estado de desespero por sei-lá-o-quê que já embarcam mirando qualquer lugar pra se agarrar e lá permanecer até seu ponto de chegada, mesmo que você esteja nesse lugar. Ou seja, primeiro erro: galera não aprendeu na escola a lição básica de que dois corpos não ocupam o mesmo lugar no espaço. Há também aqueles que querem ficar sentados lindos e cheirosos (not) em seu banquinho até o ponto em que precisará descer. Daí, chegando perto, nota que vai precisar sair de lá na força e sai empurrando o que estiver na frente no melhor estilo jogador de rugby. E dá-lhe agarrar bolsa, fones de ouvido, tudo o que estiver levando consigo para que nada saia do ônibus sem você – isso quando não é necessário tomar o devido cuidado para que você não seja levado pela massa pra fora ou pra dentro do ônibus. Então você sobrevive à viagem, chega no tubo e descobre aquela galera parada na porta esperando para entrar naquele ônibus de que você acabou de sair. É um Deus nos acuda! Mais uma vez as pessoas desafiam as leis da física. Então, no final, quando só falta aquele terceiro ônibus pra essa epopéia terminar, vem mais dificuldade: as pessoas que precisam descer não se contentam em ficar perto da porta, elas precisam ficar agarradas NA PORTA mesmo que não precisem descer no próximo ponto. A distribuição demográfica é comovente: portas 2 e 4 (de saída) entulhadas e o resto do ônibus muito sossegado.

Esses problemas quadruplicam em dia de chuva, porque, não sei o que acontece, mas o povo perde a capacidade de raciocínio em situações adversas. O pessoal que quer sair de um ônibus se choca com aqueles que querem pegar o mesmo e com os que querem ir nas outras portas para embarcar em outro. Tudo. No. Mesmo. Lugar. Do. Tubo. Só sei que na última quarta-feira, quando mais choveu no horário de rush, quase entrei involuntariamente em um ônibus que não precisava tamanha foi a fúria da multidão querendo passar. Mais à frente, uma garota começava a empurrar as pessoas para conseguir passar e, quando finalmente saiu de onde se concentrava a muvuca, esbravejava que tinham passado a mão nela no meio da confusão. Muita classe, muito glamour, muito brilho, muita felicidade.

Interbairros III, Centenário, Santa Cândida. Você pode chamar o inferno por qualquer um desses nomes, pois eu duvido que exista neste ou em qualquer outro mundo uma representação melhor da morada do capeta. É por essas que eu duvido seriamente da existência de céu, purgatório e inferno. Não aceito que enfrentar essa rotina todos os dias não seja parte da quitação da minha dívida, eu não tenho tantos pecados assim pra pagar. O inferno é aqui, o inferno são os outros, já diziam os Titãs.

Homens discutem (e como discutem! ) Crepúsculo


Olá pra você que está acostumado a ler minhas opiniões por aqui. Hoje brincaremos de algo um pouco diferente. O Arthur Melo (sim, o grande ADPC¹) pediu pra que eu cedesse um espaço pra ele hoje, afinal ele ainda não tem um blog próprio além daquele de cinema lá. Então o texto que se segue é dele, a opinião é dele, a culpa toda é dele. Eu só aluguei o terreno.

Sem maiores explicações, deixo meus queridos leitores com o Arthur.

¹ Arthur Do Pipoca Combo


* * *

Crepúsculo: a visão de quem NÃO inveja o Edward
Por Arthur Melo


Porque né, inveja... Disso?


Eu deveria estar fazendo uma resenha que encerrará uma das matérias destes últimos períodos da faculdade. Mas eu cometi a imbecilidade de dar uma passada rápida no Orkut e caí que nem um pato em um tópico da @erikaczb, postado em uma comunidade frequentada por nós e outros tantos amigos. O tópico em questão era sobre o bate-rebate entre Maurício Saldanha (do popular Cabine Celular) e o crítico de cinema Pablo Villaça (excelente em sua profissão, um tantinho chato no Twitter), do Cinema em Cena. O motivo? A Saga Crepúsculo e seus respectivos vídeos abordando a série, desencadeados pelo lançamento do mais recente filme, Eclipse.

Se um ou outro está tentando se promover, isso não entra em discussão aqui. Mas eu confesso que me senti atingido pelas inverdades proferidas pelo MS (vou abreviar o nome de ambos daqui para frente) em seu vídeo – o que é muito curioso, porque, normalmente, são as verdades que queremos esconder que alfinetam a gente. A questão é que alguns de seus pseudo-argumentos são tão inquietantes que eu me vejo na obrigação de desmenti-lo. E, como o PV disse em seu vídeo, não há melhor forma de responder/comentar/debater do que argumentando bem e, claro, dando exemplos. Pois bem. Eis aqui um exemplo em ação.

Antes de iniciar de fato (eu prometo que farei isso sem enrolar mais do que já o fiz), quero deixar claro que, caso a proprietária deste blog me permita tomar emprestado este espaço apenas por hoje, isso não significa que ela está de acordo com tudo o que for falado aqui, e nem que divide comigo as opiniões e argumentos – sejam parciais ou em sua totalidade. De qualquer forma, como eu bem prometi a ela (NdB: ele tinha prometido que esse blog sairia dia 01/07. Espero até agora.), em breve criarei um blog para incitar a discussão de um bando de coisa broxante ou excitante que vejo pelo mundo – estresses proporcionados por comentários idiotas de pessoas no Twitter podem vir a se tornarem gigantescas teses. Assim, como ainda não construí minha casa, vim pedir abrigo nesta noite de tempestade.

Vamos lá. Como bem disse o @gabrielvilela no tópico supracitado, o que pode ter levado o PV a gravar e publicar um vídeo resposta para o MS é bem aquilo que o mesmo comenta no finalzinho. Para alguns, cinema é religião. Para alguns, ouvir e ter de engolir certas coisas, sabendo que tantas mentes serão infestadas por esses raciocínios chulos já mastigados e errôneos, é frustrante. É como saber que uma mentira está sendo proferida e você não pode fazer nada. Por sorte, ele tem alguma projeção no meio, e logo tratou de desfazer a besteira.

Como alguns sabem – me refiro ao círculo mais próximo – eu também escrevo minhas críticas no meu site, Pipoca Combo. Por vezes fui atacado e xingado por não ter sido tão benevolente com alguns filmes que possuem legiões de fãs. O último foi Percy Jackson. Para minha felicidade, algumas opiniões mudaram depois que o filme estreara e houve até pedidos de desculpas. Ok, isso não vem ao caso. É de Crepúsculo que estamos falando.

Bom, sou homem, vez ou outra tenho um surto de altruísmo, sei ser simpático e acredito que já fui mais romântico. Isso me faz incapaz de ler e compreender Crepúsculo? Não. Até porque, qual a dificuldade de extrair daquele monte de páginas o que Stephenie Meyer quer passar? Nenhuma. A verdade é que eu simpatizei (eu juro que é verdade) com Crepúsculo, no início do livro. Quando o li, ainda não havia filme, não havia tanta histeria e, portanto, ninguém pode me acusar de que desgostei só porque não queria me render a uma modinha ou só porque eu sou fã declarado de Harry Potter. Convenhamos, àquela época (e ainda hoje), Crepúsculo não era ameaça para ninguém. Quem conhecia aquilo? Ocorre que li devagar, no meu tempo, com cuidado e certo interesse; do início ao fim. Queria muito saber como o romance iria terminar e a que passo estaria Bella quando o ponto final fosse dado. Mas, em nenhum momento, deixei de notar os problemas.

Certo. Faço críticas de cinema e estou bem acostumado com isso. Mas eu sou estudante de Letras e, pelo o que me consta, ao cabo de sete períodos e tendo sempre excelentes resultados nas matérias de literaturas (por mais que eu sempre achasse que não estava indo bem), acho que isso me dá alguma autoridade – pequena, tudo bem – para comentar a “obra” (e aqui eu posso me dar ao luxo de estar minimamente mais seguro do que o Villaça neste ponto, apesar dele ter demonstrado um ótimo conhecimento em seus comentários que rondavam o campo literário). Meyer é, mesmo, ruim. Na forma (o que confesso que levei mais do que 35 páginas para confirmar) e no conteúdo (caiu a ficha no segundo capítulo). Seus períodos (estou falando de gramática), demasiadamente longos, demonstram um despreparo gritante em resumir ideias. Várias vezes insere conjunções e composições frasais para substituir uma palavra, acreditando estar construindo uma definição mais elaborada ou descrevendo com maiores detalhes um elemento da cena narrada quando, se olharmos bem, está moendo o mesmo grão duas vezes – infelizmente, não estou de posse do livro, não o sei de cor e não me prestarei a buscá-lo e procurar um trecho bem esdrúxulo para exemplificar (sim, porque para que algumas pessoas entendam que aquilo que amam é ruim, temos de sinalizar com neon, pessoas seminuas dançando em volta e ainda pedir para os Meninos Cantores de Viena declamarem).

No conteúdo, a problemática se agrava. Tentando não repetir outros argumentos do PV e até do Felipe Neto (que eu acho ultra tosco, mas, convenhamos, falou ótimas verdades no seu último vídeo), apenas recapitulo o quão mal desenvoltos são esses personagens. Quer dizer, Edward é um vampiro cuja única ligação com a popular imagem do mito é se alimentar de sangue. Presas, voar, virar pó sob o Sol, se transformar em morcego e pertencer ao lado das trevas foi abandonado. A coisa foi biologicamente reduzida demais: é apenas um ser humano que não envelhece, não possui mais reações fisiológicas e nutre suas forças com o sangue alheio, já que não o produz mais. Jacob é um lobisomem cuja única ligação com o então mito é se transformar em um lobo. Ou seja, o horrível galã Gary Oldman (oi, Saldanha) perdeu uma ótima oportunidade de atrair gritos e suspiros em Harry Potter e o Prisioneiro de Azkaban, porque se formos comparar, não enxergaremos diferença entre um e outro. Jacob é, apenas, um cãozinho maior. Vou criar um livro sobre um alienígena. Ele será um ser da nossa fauna que nunca fora visto antes por nenhum cientista. Será estranho, verde, terá cabeça grande, olhos desproporcionais, braços longos e pernas curtas. Olha, ele não veio de outro planeta, mas as características “principais” batem, tá? Então É UM ALIEN!!!!!!11111111

Bom, já a Bella é uma adolescente irritante, incapaz de conviver com amenidades da vida e por isso resolve ir morar com o pai, isolando-se do mundo que amava. Não é inteligente, não é tão bonita e está longe de ser aquela pessoa super alto-astral que você convida para um cinema. O que um sujeito de séculos de existência e experiências acumuladas veria nela? Mas se Bella, aquela porcariazinha, pode, isso quer dizer que todas as leitoras, se colocando no mesmo estado em constituição física e psicológica dela, também estão aptas, partindo de agora, a encontrar o seu príncipe encantado. Isso explica muita coisa.

Por um terço do livro, vemos a pobre e infeliz garota remoendo a nossa paciência enquanto ela ainda está a passos de descobrir que Edward é um vampiro. Na segunda parte desta divisão, vemos um romance que só não se compara aos da Sessão da Tarde porque nestes sempre tem um banho de loja na mocinha embalada por uma música daquelas que a gente toca pra ir fazer faxina em casa (Tipo “Walking on Sunshine”). Daí, no final, mas lá perto do final mesmo, Stephenie se lembra que ela não tem nada para criar um clímax. É, porque a não ser que a tal amiga Jéssica se junte ao descartado Mike para tentar separar Ed de Bella (Malhação feelings), não temos nada para empolgar. E, do nada, surgem os nômades. Sem nenhum contexto ou qualquer relação com a base mitológica – já inexistente – na trama, eles vêm e ameaçam a segurança de Bella. Uma incoerência tão desmoralizante para alguém que se põe a escrever uma história que seria o suficiente para enaltecer uma vergonha na mesma proporção com que os livros são vendidos. É tão lógico e humilhante que chega a parecer uma ofensa a quem está acompanhando esse desenlace à pressas; tão berrante e quase ensurdecedor que até tentaram emendar no primeiro filme da série. Uma lástima para quem aturou.

Já cheguei a duas laudas no Word e conseguiria apontar outros inúmeros problemas além dos que já comentei e os já citados por Villaça e Felipe Neto. Mas eu realmente preciso investir a minha vida em outra coisa que não seja falar de Crepúsculo hoje. Até porque, se já é ridículo três homens discutindo por causa disso, imagina quatro. Mas eu tive que fazer isto. Já ia surtar e sinto que novos argumentos serão lembrados depois de ler alguns possíveis comentários aqui.

Quanto aos comentários do Saldanha... Bem, eu li o livro, não o fiz “nas coxas” e nem decretei como lixo só por implicância. Mas estou acostumado a ler bastante coisa e até já me aventurei em livros bem ruins do público infanto-juvenil, como Percy Jackson. Ao menos no primeiro capítulo já era visível que ao menos a forma de escrita era de alguém que conhece os mecanismos que está usando. Nem isso acontece em Crepúsculo. E sou obrigado a dizer que devem existir rapazes de boa aparência que já tentaram ler ou assistir a algum filme da série e não gostaram por motivos próprios, os quais não obrigatoriamente seriam inveja do corpo ou do rosto (de quem, do Robert?? Pfff) dos protagonistas, porque talvez isso nem tenha sentido para eles, e, ainda, cujas namoradas são bem mais atraentes e simpáticas do que a Bella. Mas dizem que alguns sujeitos que malham pra caramba querem compensar alguma coisa. Quem tiver interesse, pergunte ao “Jacob Lautner”, pra mim tanto faz. A verdade é que eu não gosto de Crepúsculo, não faço musculação e não irrito o sexo oposto gritando no cinema toda vez que a Megan Fox desfila em cena. Acho que quebrei mais alguns argumentos do Saldanha.

Espero, com esse texto, não ter decretado desde já o fim de um blog que nem começou.



Obs: Se você não está entendendo nada do que foi dito aqui, eu, a dona do blog, aconselho você a ver ESTE vídeo, depois ESTE e, finalmente, ESTE.

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