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Homens discutem (e como discutem! ) Crepúsculo


Olá pra você que está acostumado a ler minhas opiniões por aqui. Hoje brincaremos de algo um pouco diferente. O Arthur Melo (sim, o grande ADPC¹) pediu pra que eu cedesse um espaço pra ele hoje, afinal ele ainda não tem um blog próprio além daquele de cinema lá. Então o texto que se segue é dele, a opinião é dele, a culpa toda é dele. Eu só aluguei o terreno.

Sem maiores explicações, deixo meus queridos leitores com o Arthur.

¹ Arthur Do Pipoca Combo


* * *

Crepúsculo: a visão de quem NÃO inveja o Edward
Por Arthur Melo


Porque né, inveja... Disso?


Eu deveria estar fazendo uma resenha que encerrará uma das matérias destes últimos períodos da faculdade. Mas eu cometi a imbecilidade de dar uma passada rápida no Orkut e caí que nem um pato em um tópico da @erikaczb, postado em uma comunidade frequentada por nós e outros tantos amigos. O tópico em questão era sobre o bate-rebate entre Maurício Saldanha (do popular Cabine Celular) e o crítico de cinema Pablo Villaça (excelente em sua profissão, um tantinho chato no Twitter), do Cinema em Cena. O motivo? A Saga Crepúsculo e seus respectivos vídeos abordando a série, desencadeados pelo lançamento do mais recente filme, Eclipse.

Se um ou outro está tentando se promover, isso não entra em discussão aqui. Mas eu confesso que me senti atingido pelas inverdades proferidas pelo MS (vou abreviar o nome de ambos daqui para frente) em seu vídeo – o que é muito curioso, porque, normalmente, são as verdades que queremos esconder que alfinetam a gente. A questão é que alguns de seus pseudo-argumentos são tão inquietantes que eu me vejo na obrigação de desmenti-lo. E, como o PV disse em seu vídeo, não há melhor forma de responder/comentar/debater do que argumentando bem e, claro, dando exemplos. Pois bem. Eis aqui um exemplo em ação.

Antes de iniciar de fato (eu prometo que farei isso sem enrolar mais do que já o fiz), quero deixar claro que, caso a proprietária deste blog me permita tomar emprestado este espaço apenas por hoje, isso não significa que ela está de acordo com tudo o que for falado aqui, e nem que divide comigo as opiniões e argumentos – sejam parciais ou em sua totalidade. De qualquer forma, como eu bem prometi a ela (NdB: ele tinha prometido que esse blog sairia dia 01/07. Espero até agora.), em breve criarei um blog para incitar a discussão de um bando de coisa broxante ou excitante que vejo pelo mundo – estresses proporcionados por comentários idiotas de pessoas no Twitter podem vir a se tornarem gigantescas teses. Assim, como ainda não construí minha casa, vim pedir abrigo nesta noite de tempestade.

Vamos lá. Como bem disse o @gabrielvilela no tópico supracitado, o que pode ter levado o PV a gravar e publicar um vídeo resposta para o MS é bem aquilo que o mesmo comenta no finalzinho. Para alguns, cinema é religião. Para alguns, ouvir e ter de engolir certas coisas, sabendo que tantas mentes serão infestadas por esses raciocínios chulos já mastigados e errôneos, é frustrante. É como saber que uma mentira está sendo proferida e você não pode fazer nada. Por sorte, ele tem alguma projeção no meio, e logo tratou de desfazer a besteira.

Como alguns sabem – me refiro ao círculo mais próximo – eu também escrevo minhas críticas no meu site, Pipoca Combo. Por vezes fui atacado e xingado por não ter sido tão benevolente com alguns filmes que possuem legiões de fãs. O último foi Percy Jackson. Para minha felicidade, algumas opiniões mudaram depois que o filme estreara e houve até pedidos de desculpas. Ok, isso não vem ao caso. É de Crepúsculo que estamos falando.

Bom, sou homem, vez ou outra tenho um surto de altruísmo, sei ser simpático e acredito que já fui mais romântico. Isso me faz incapaz de ler e compreender Crepúsculo? Não. Até porque, qual a dificuldade de extrair daquele monte de páginas o que Stephenie Meyer quer passar? Nenhuma. A verdade é que eu simpatizei (eu juro que é verdade) com Crepúsculo, no início do livro. Quando o li, ainda não havia filme, não havia tanta histeria e, portanto, ninguém pode me acusar de que desgostei só porque não queria me render a uma modinha ou só porque eu sou fã declarado de Harry Potter. Convenhamos, àquela época (e ainda hoje), Crepúsculo não era ameaça para ninguém. Quem conhecia aquilo? Ocorre que li devagar, no meu tempo, com cuidado e certo interesse; do início ao fim. Queria muito saber como o romance iria terminar e a que passo estaria Bella quando o ponto final fosse dado. Mas, em nenhum momento, deixei de notar os problemas.

Certo. Faço críticas de cinema e estou bem acostumado com isso. Mas eu sou estudante de Letras e, pelo o que me consta, ao cabo de sete períodos e tendo sempre excelentes resultados nas matérias de literaturas (por mais que eu sempre achasse que não estava indo bem), acho que isso me dá alguma autoridade – pequena, tudo bem – para comentar a “obra” (e aqui eu posso me dar ao luxo de estar minimamente mais seguro do que o Villaça neste ponto, apesar dele ter demonstrado um ótimo conhecimento em seus comentários que rondavam o campo literário). Meyer é, mesmo, ruim. Na forma (o que confesso que levei mais do que 35 páginas para confirmar) e no conteúdo (caiu a ficha no segundo capítulo). Seus períodos (estou falando de gramática), demasiadamente longos, demonstram um despreparo gritante em resumir ideias. Várias vezes insere conjunções e composições frasais para substituir uma palavra, acreditando estar construindo uma definição mais elaborada ou descrevendo com maiores detalhes um elemento da cena narrada quando, se olharmos bem, está moendo o mesmo grão duas vezes – infelizmente, não estou de posse do livro, não o sei de cor e não me prestarei a buscá-lo e procurar um trecho bem esdrúxulo para exemplificar (sim, porque para que algumas pessoas entendam que aquilo que amam é ruim, temos de sinalizar com neon, pessoas seminuas dançando em volta e ainda pedir para os Meninos Cantores de Viena declamarem).

No conteúdo, a problemática se agrava. Tentando não repetir outros argumentos do PV e até do Felipe Neto (que eu acho ultra tosco, mas, convenhamos, falou ótimas verdades no seu último vídeo), apenas recapitulo o quão mal desenvoltos são esses personagens. Quer dizer, Edward é um vampiro cuja única ligação com a popular imagem do mito é se alimentar de sangue. Presas, voar, virar pó sob o Sol, se transformar em morcego e pertencer ao lado das trevas foi abandonado. A coisa foi biologicamente reduzida demais: é apenas um ser humano que não envelhece, não possui mais reações fisiológicas e nutre suas forças com o sangue alheio, já que não o produz mais. Jacob é um lobisomem cuja única ligação com o então mito é se transformar em um lobo. Ou seja, o horrível galã Gary Oldman (oi, Saldanha) perdeu uma ótima oportunidade de atrair gritos e suspiros em Harry Potter e o Prisioneiro de Azkaban, porque se formos comparar, não enxergaremos diferença entre um e outro. Jacob é, apenas, um cãozinho maior. Vou criar um livro sobre um alienígena. Ele será um ser da nossa fauna que nunca fora visto antes por nenhum cientista. Será estranho, verde, terá cabeça grande, olhos desproporcionais, braços longos e pernas curtas. Olha, ele não veio de outro planeta, mas as características “principais” batem, tá? Então É UM ALIEN!!!!!!11111111

Bom, já a Bella é uma adolescente irritante, incapaz de conviver com amenidades da vida e por isso resolve ir morar com o pai, isolando-se do mundo que amava. Não é inteligente, não é tão bonita e está longe de ser aquela pessoa super alto-astral que você convida para um cinema. O que um sujeito de séculos de existência e experiências acumuladas veria nela? Mas se Bella, aquela porcariazinha, pode, isso quer dizer que todas as leitoras, se colocando no mesmo estado em constituição física e psicológica dela, também estão aptas, partindo de agora, a encontrar o seu príncipe encantado. Isso explica muita coisa.

Por um terço do livro, vemos a pobre e infeliz garota remoendo a nossa paciência enquanto ela ainda está a passos de descobrir que Edward é um vampiro. Na segunda parte desta divisão, vemos um romance que só não se compara aos da Sessão da Tarde porque nestes sempre tem um banho de loja na mocinha embalada por uma música daquelas que a gente toca pra ir fazer faxina em casa (Tipo “Walking on Sunshine”). Daí, no final, mas lá perto do final mesmo, Stephenie se lembra que ela não tem nada para criar um clímax. É, porque a não ser que a tal amiga Jéssica se junte ao descartado Mike para tentar separar Ed de Bella (Malhação feelings), não temos nada para empolgar. E, do nada, surgem os nômades. Sem nenhum contexto ou qualquer relação com a base mitológica – já inexistente – na trama, eles vêm e ameaçam a segurança de Bella. Uma incoerência tão desmoralizante para alguém que se põe a escrever uma história que seria o suficiente para enaltecer uma vergonha na mesma proporção com que os livros são vendidos. É tão lógico e humilhante que chega a parecer uma ofensa a quem está acompanhando esse desenlace à pressas; tão berrante e quase ensurdecedor que até tentaram emendar no primeiro filme da série. Uma lástima para quem aturou.

Já cheguei a duas laudas no Word e conseguiria apontar outros inúmeros problemas além dos que já comentei e os já citados por Villaça e Felipe Neto. Mas eu realmente preciso investir a minha vida em outra coisa que não seja falar de Crepúsculo hoje. Até porque, se já é ridículo três homens discutindo por causa disso, imagina quatro. Mas eu tive que fazer isto. Já ia surtar e sinto que novos argumentos serão lembrados depois de ler alguns possíveis comentários aqui.

Quanto aos comentários do Saldanha... Bem, eu li o livro, não o fiz “nas coxas” e nem decretei como lixo só por implicância. Mas estou acostumado a ler bastante coisa e até já me aventurei em livros bem ruins do público infanto-juvenil, como Percy Jackson. Ao menos no primeiro capítulo já era visível que ao menos a forma de escrita era de alguém que conhece os mecanismos que está usando. Nem isso acontece em Crepúsculo. E sou obrigado a dizer que devem existir rapazes de boa aparência que já tentaram ler ou assistir a algum filme da série e não gostaram por motivos próprios, os quais não obrigatoriamente seriam inveja do corpo ou do rosto (de quem, do Robert?? Pfff) dos protagonistas, porque talvez isso nem tenha sentido para eles, e, ainda, cujas namoradas são bem mais atraentes e simpáticas do que a Bella. Mas dizem que alguns sujeitos que malham pra caramba querem compensar alguma coisa. Quem tiver interesse, pergunte ao “Jacob Lautner”, pra mim tanto faz. A verdade é que eu não gosto de Crepúsculo, não faço musculação e não irrito o sexo oposto gritando no cinema toda vez que a Megan Fox desfila em cena. Acho que quebrei mais alguns argumentos do Saldanha.

Espero, com esse texto, não ter decretado desde já o fim de um blog que nem começou.



Obs: Se você não está entendendo nada do que foi dito aqui, eu, a dona do blog, aconselho você a ver ESTE vídeo, depois ESTE e, finalmente, ESTE.

Harry Potter - O Bater de Asas


Crônicas de Nárnia é a série que substituirá Harry Potter. Não.

Eragon, de Christopher Paolini, chega às telas prometendo ser o sucessor do bruxinho britânico. Também não.

Bússola de Ouro chega com tudo prometendo desbancar o sucesso da obra de J.K. Rowling. Mais uma vez, não.

Então Desventuras em Série terá esse poder... Not.

A saga Crepúsculo disputa com Harry Potter a preferência do público. Dessa eu tive que rir.

Não adianta, Harry Potter não tem, até o presente momento, nenhum concorrente à altura. Toda nova série lançada, seja impressa ou projetada, chega com a promessa de ser tão arrebatadora quanto a série de sete livros que transformou Harry Potter num dos maiores fenômenos literários da história. Acredito que esse tipo de peso só seja atribuído a esses novos títulos na tentativa de mobilizar os curiosos a conhecer tal produto e saber se aquilo tem, de fato, potencial pra suceder a obra de J.K. Sinto muito se isso soar arrogância, mas é fato. Mas isso é apenas o início das coisas que eu poderia falar sobre a importância dessa série na literatura de fantasia, no cinema, pra uma geração e na minha vida.




Já assistiram ao filme “Efeito Borboleta”? Se não assistiram, ao menos sabem do que se trata. A frase do início – algo sobre o bater de asas de uma borboleta ser capaz de produzir um terremoto do outro lado do mundo – resume bem. A qualquer momento, sem saber, podemos estar vivenciando um segundo único em nossas vidas que poderá mudar todo o curso dela a partir dali. Isso é fantástico e, ao mesmo tempo, assustador. Como perceber que determinadas escolhas e palavras terão a força de nos levar a um caminho totalmente diferente do que poderia estar escrito em nosso destino e previamente rservado para nós? Acho que a gente nunca sabe, só vai perceber lá pra frente, fazendo uma reflexão de nossa própria história.


Pois, meus caros, ler “Harry Potter e a Pedra Filosofal” foi o bater de asas da borboleta na vida de muitas pessoas que eu conheço e, certamente, de outras muitas que eu sequer chegarei a conhecer. Tenho absoluta certeza de que muitos dos que lerão este texto estarão concordando em silêncio com a afirmação anterior, pois, se não fosse por este livrinho simples e rápido de ser lido, eu não conheceria a maioria dos que eu sei que chegam ao meu blog. É simplesmente fascinante ter a consciência de que um passo simples e corriqueiro como comprar um livro no supermercado pôde determinar coisas que eu não viveria de outra forma. Já se vão, pra mim, aproximadamente 9 anos em que a série Harry Potter faz parte da minha personalidade. Sim, pois qualquer pessoa que me conheça precisa saber que eu sou a geração Harry Potter, precisa saber que meus melhores amigos vieram junto nesse pacotão de 7 livros. É parte de mim, como dizer que eu cursei Letras, que eu moro em Curitiba, que eu torço pro São Paulo e minha paixão é português e escrever. Resumidamente, uma peça fundamental, que não pode ser ignorada, ou todo o conjunto deixa de funcionar.

Tanta coisa foi vivida nesses anos. Um dia era apenas uma pesquisa pra ter notícias de lançamento do quinto livro, "Ordem da Fênix". No outro, era um fórum de discussões sobre tudo na série, inclusive teorias – uma mais maluca que a outra. Foi nessa época que eu realmente comecei a querer discutir sobre Harry Potter e passei a ser uma “estudiosa”, e não somente uma leitora. Relia várias vezes os livros pra pegar detalhes que outras pessoas não haviam notado e pra rebater aqueles que teorizavam mais com a emoção do que com a razão. Então veio o Orkut e daí pra frente vocês podem imaginar. Em algum tempo, eu estava dentro de um ônibus com destino a São Paulo para assistir ao "Cálice de Fogo", oportunidade em que seria hospedada por uma amiga muito querida, mas que eu nunca havia tido a oportunidade de conhecer pessoalmente. Preciso mesmo dizer que gastei dois meses convencendo minha mãe de que eu não seria sequestrada por tarados?

Mas foi só o começo, pois depois disso viriam outras viagens, um evento potteriano em que eu fiz meu primeiro e único cosplay (não tenho fotos, sorry), outros amigos, Hopi Hari, outras estreias, encontros independentes da série, horas de conversas em msn, cartas trocadas, telefones trocados, confidências trocadas. O compartilhamento de amizades que resistem até hoje à distância, aos preços das passagens, ao desgosto de pais que achavam que os “amiguinhos da internet” eram coisa passageira, que não duraria tanto assim. Permitam-me usar as palavras do @arthurmelo em uma recente postagem no Potterish (aliás, foi lá no fórum do Ish, o Grimmauld Place, n°12, que eu comecei a discutir HP):


"É constatado. Não é uma febre. Não é passageiro. Virar de ponta-cabeça o mundo virtual voltado ao entretenimento em 15 minutos é um trabalho que não se faz e não se prolonga por dez anos. Harry Potter ainda tem a mesma energia do início, ainda move o mesmo número de multidões e deixa todos afobados da mesma maneira – talvez até pior."


Nada era passageiro, nem o amor de quem acompanhou a série, muito menos as amizades geradas por ela. Como é possível um fenômeno desses, que move milhares de pessoas no mundo inteiro e que não perde a força mesmo depois de 13 anos do ponta-pé inicial? Hoje, poucos meses antes da estreia da primeira parte de "Relíquias da Morte", é difícil acreditar que este ciclo está chegando ao fim também no cinema. Mesmo os fãs que, depois de tantos anos, perderam um pouco do interesse pela série sentiram um aperto no coração ao se dar conta de que Harry Potter, afinal, também acabará um dia. É um misto de felicidade por um belo trajeto e uma angústia por ver que esse caminho está nos guiando a um inevitável ponto de chegada. Alegria, tristeza, saudade, expectativa, tudo misturado.

Antes de nós, vieram os tios que hoje se orgulham de ser a “geração Star Wars”, hoje somos nós, potterianos, que nos orgulhamos de ser a “geração Harry Potter”, e isso não é pouca coisa (quantas outras séries faziam os fãs enlouquecerem a ponto de fazê-los irem assistir a um filme com fantasia?). Ainda mais privilegiados são aqueles que, já adultos e praticamente saindo da faculdade, podem dizer que acompanharam o drama da espera pelo quinto livro, a tradução não-oficial da Armada Tradutora (ou qualquer nome por que vocês conhecem eles, é sempre o mesmo pessoal), os eventos, as discussões em fóruns, que chegou a escrever sua própria teoria de como seria o final. Da mesma forma como se alegram os fãs de Lost pela jornada proporcionada pela série, quem acompanhou Harry Potter desde o início pode bater no peito e dizer que Rowling lhe proporcionou uma incrível viagem, da qual se lembrará com carinho e gratidão.

Além de horas de entretenimento e leitura, ganhei amigos, curti uma experiência que, tenho consciência, será única. Conheci pessoas que só passaram pela minha vida porque compartilhavam comigo o gosto por uma série aparentemente despretensiosa. E com essas pessoas vieram muitas lições, novos pontos de vista, foi uma bolha que estourou e me permitiu contato com indivíduos singulares, destinados a cruzar meu caminho em “números binários” e me ensinar que o mundo é grande demais pra eu ter a pretensão de que sei muita coisa. Eu não sei é nada. Não sabia sequer que um livro infanto-juvenil me proporcionaria essas experiências.

Provavelmente eu voltarei a escrever sobre esse mesmo assunto em novembro e em 2011, afinal ainda temos pela frente dois filmes que encerram a saga cinematográfica. Mas eu não queria perder a oportunidade de gastar uns minutos falando sobre mais de uma década dessa coisa mágica que foi Harry Potter (sem trocadilhozinho imbecil de revista que não sabe do que fala). Acho que é pouco perto de tudo com que essas pessoas e livros citados já me presentearam; é nada perto da determinação de uma heroína britânica chamada Joanne Kathleen Rowling em publicar seus livros e, por consequência, ser responsável por esses intermináveis círculos de amizade que se criaram por um gosto em comum.

Escolhas. A gente nunca sabe quando elas determinarão seu futuro ou serão apenas um detalhe no seu cotidiano. Por isso nossas escolhas são tão importantes e, como diria um sábio que eu conheci, determinam quem somos muito mais que nossas qualidades. Muito cuidado com elas.



Dedicado a todos que, de alguma forma, acompanharam Harry junto comigo até aqui e continuarão ao meu lado em veredas futuras.

Valores, Literatura e Arte

É, depois de um grande hiato na vida deste blog, eu volto com um assunto chato pra muitos. O problema é que nada me motiva mais do que indignação. Não consigo pelo menos não criar um texto defendendo aquilo em que eu acredito e, como verão, mexeram no meu calcanhar de Aquiles. Portanto, aqui vai mais um texto doutrinador da Érika.



Se você é minimamente envolvido com arte, seja de que área for – cinema, música, literatura, pintura, escultura, dança ou teatro, além de outras manifestações artísticas que se juntaram a essas sete fundamentais -, sabe que, um novo período após o outro, há em comum entre eles a quebra de padrões estabelecidos por seu antecessor direto. Não que seja necessária a completa independência entre esses períodos culturais (e nem acredito que isso seja possível, já que pra haver oposição é necessariamente obrigatório haver a que se opor), mas novos conceitos surgem para dar início a uma nova era artística.

Esta é, afinal, uma das razões da existência da arte: a construção de novos valores através da desconstrução de algo previamente estabelecido e que começa a ficar confortável demais. A arte também existe pra chocar, fazer repensar conceitos, remexer com o que estava perfeitamente encaixado. Ora, se chegarmos a um ponto em que não houver mais o que se discutir e criar, teremos alcançado o fim da capacidade intelectual humana após milênios de evolução. Nós também, quando chegarmos ao ponto de achar que nada mais nos acrescenta, estamos no limiar do nosso potencial de crescer como seres complexos que essencialmente somos.

Todo esse discurso tem como objetivo chegar à questão que realmente me importa, a de que me entristece profundamente testemunhar jovens que se autodenominam leitores com menos de 20 anos de vida dizer que “a literatura brasileira não tem valor”. Sim, eu permaneci anos no curso de Letras me dedicando ao estudo de algo que, de acordo com esse ser humano superexperiente, não tem valor. Não que isso de alguma forma me abale e me faça repensar se valeu a pena. Entendo que essa afirmação partiu baseada na ignorância de quem ainda tem muito a aprender. Mas foi inevitável que isso perturbasse meus pensamentos.

Valor pra quem? O que essa pessoa quis dizer com “valor”. Se a utilidade (com o perdão do pragmatismo) da literatura pra esse jovem é estar por dentro das tendências de mercado apontadas semanalmente pela lista de 10 Mais Vendidos da Veja, talvez conhecer Fernando Sabino, Cecília Meireles e Guimarães Rosa seja realmente inútil. O que o garoto que disse isso não sabe, porém, é que o valor da literatura não se mede no número de livros vendidos, e sim na quantidade do que ela tem a dizer, no quanto ela influenciou geração após geração e em quanto nos permite pensar e evoluir culturalmente.

Como já foi dito anteriormente neste mesmo espaço, arte e entretenimento podem conviver mutuamente, cada um com seu espaço e atendendo a diferentes necessidades. Mas, diante de tal profanação, a conclusão a que chego é a de que a anulação da arte é fatalmente, em muitas ocasiões, o resultado do consumo massivo de livros que normalmente viram filmes e conquistam tantos “leitores”. Refiro-me aqui principalmente às aventuras em séries que tomam conta do mercado editorial (séries que normalmente trazem protagonistas-heróis destinados a salvar o mundo, a se sacrificar pelo bem maior, que não temem a morte, corajosos... E também aos casais que enfrentam todos os problemas do mundo pra terminarem juntos).

Chamo de “leitores”, com aspas, pois acredito que pra muitos a melhor definição seja “consumidores”. Leitor, na minha concepção, é aquele indivíduo que usa cada livro que lê como propulsor para buscar novas formas de narrativa, novos níveis de complexidade, novas estruturas; pessoas que buscam aumentar seu repertório não só porque todos estão lendo determinado título, mas para construir uma opinião crítica baseada mais em conhecimento e menos em achismos. Consumidor, sim, é aquele que, convencido pela propaganda, resolve adquirir um produto e volta sempre às prateleiras para renovar seu estoque quando ele acaba.

Produtos enlatados. É com o que muitos consumidores de livros confundem literatura. Estão de tal forma habituados a uma receita que qualquer coisa que fuja desse padrão perde a data de validade. Quando chega o momento em que o entretenimento engessa a capacidade de aprender, está na hora de rever valores, de questionar de que lado estamos: leitores ou consumidores? Robôs programados a se manter numa linha de aquisição de conteúdos similares ou seres intelectuais em constante transformação? Ruminantes a digerir o mesmo bolo alimentar repetidas vezes ou absorvidores de conhecimento?

Para esta que vos fala, o valor da literatura está muito mais no quanto ela me permite amadurecer como ser humano do que em números editoriais vantajosos. E não me julguem elitista por querer que as pessoas coloquem arte/cultura e entretenimento em seus devidos lugares. Não acho que se deva fazer uma pira com toneladas de páginas de livros “divertidos”, nem acho que é prioridade na vida ler todos os clássicos do mundo. Mas cada coisa tem seu momento e sua função. Dizer que literatura brasileira não tem valor e que ler Dan Brown ou Homero acrescenta a mesma coisa na vida de alguém é homicídio cultural.



PS: Sim, o esforço pra não citar Machado foi grande.

Gosto é igual braço...

... Uns têm, outros não. Eu gosto de dizer essa piadinha de humor afrodescendente sempre que possível quando o assunto é divergência de gostos¹, mas não o suficiente pra ela ficar repetitiva demais. E, sendo sincera, nem acho que isso seja verdade absoluta na maioria dos casos.

Acabo de sair de uma noite corrida em que nós do Pipoca Combo cobrimos o Globo de Ouro e estou ouvindo a deliciosa e tranquilizante trilha sonora de “Onde Vivem Os Monstros” (aliás, ela é repleta de vozes infantis, depois pesquisarei mais sobre). Se contar ainda que somente nessa semana que se passou eu me obriguei a assistir “Filhos da Esperança”, tudo se encaixa perfeitamente. O filme, do gênio Alfonso Cuarón, retrata um mundo em que as mulheres não conseguem mais ter filhos e o ser humano mais jovem, um garoto de 18 anos, morre. É assustador observar o caos que isso pode causar, a tristeza de um ambiente sem o barulho das crianças, coisa em abundância na trilha do primeiro filme. Mas isso são apenas divagações que não acrescentarão muito no que eu quero dizer.




Você não está cego. Clique na imagem para ser capaz de ler.


Eu nunca havia raciocinado muito em cima da bagagem de significados inerentes à palavra “cultura”. Pra mim, e acredito que pra maioria da pessoas, isso remetia tão somente à intelectualidade, ao bom gosto, ao amor à boa música, aos bons filmes, aos bons livros e à quantidade de conhecimento acumulada por alguém durante sua vida. Descobri que é muito mais. Poderiam ser citados aqui vários estudiosos que me dariam mais credibilidade e que concordariam comigo, mas deixo as discussões acadêmicas para a sala de aula e digo apenas o que eu penso, por enquanto são apenas achismos adquiridos com muita observação e tempo. Cultura nada mais é que todo o conjunto de costumes, crenças, hábitos, folclore, histórias, comportamento (...) de uma sociedade. Isso inclui a novela helenística de Manoel Carlos, a música do filho desafinado do Fábio Júnior e, para o meu profundo desgosto, os livros da Stephenie Meyer. Cultura é um aglomerado de gostos, compartilhe-os você ou não, e não adianta fazer cara feia.

Estou enrolando e ainda não cheguei aonde eu pretendo. Então vamos direto ao assunto. Como sabem meus queridos leitores (“a” blogueira famosona, né?), eu me aventurei pelo mundo da comunicação em vez de sossegar no meu canto de diplomada em literatura e língua. Assustadoramente, porém, eu percebo que muitos dos meus colegas de pós-graduação – formados, em sua maioria, na própria comunicação – quer tudo, menos se comunicar. Por quê? Vejamos. O que pretende um profissional da comunicação que simplesmente se recusa a entender por que no país as novelas fazem tanto sucesso? Como será capaz de entrar em contato com seu público o comunicador que faz questão de passar longe do que o povo lê? Querem eles, então, serem os jornalistas e publicitários da elite? Noto uma certa síndrome underground nesse pessoal: ao mesmo tempo em que muitos gritam pela difusão de algo supostamente melhor, fazem questão de gostar daquilo que poucos conhecem e reclamam quando o que é “deles” se populariza. Juro que ainda me angustia perceber tanta gente que pretensiosamente se denomina comunicador fazer tanta questão de se alienar tão fortemente do mundo real. Há quem defenda com veemência que o espectador da novela das 20 horas é formado apenas por donas de casa sem maiores distrações na vida e capacidade de apreciar bons livros.

A especialização que estou cursando se chama especificamente “Comunicação, cultura e arte”, mas a preocupação com a arte é tanta que a concepção das outras duas palavrinhas está totalmente deturpada. E não são apenas eles a cometerem este erro. Falo como alguém que já esteve dos dois lados dessa eterna guerra entre o erudito e o popular. Quando criança, gostava de muitas “porcarias” que não acrescentam nada a ninguém; na adolescência, achava que tinha descoberto a América porque ouvia MPB, sem perceber que eu não passava de uma adolescente pedante. Apenas na faculdade de Letras eu fui entender: uma coisa não anula a outra.

Sim, porque nós temos a tendência burra de achar que apenas um dos extremos vale. Se eu gosto de coisas populares, o erudito não é bom, é coisa de gente metida a cult e careta; se eu tenho um gosto refinado e meu ambiente me permitiu entrar em contato com coisas mais elaboradas, o popular é de segunda classe, coisa de gente inferior e de mau gosto. Tenho dois autores preferidos: Machado de Assis (ops, por falar nisso, eu devo a continuação de um post) e J.K. Rowling. Os dois não poderiam ser mais antagônicos. Machado é um clássico brasileiro, um gênio das letras incomparável a qualquer outro escritor conceituado no país (talvez apenas Guimarães Rosa rivalize com ele à altura). Rowling escreve fantasia infanto-juvenil, sua trama é baseada em uma receita que ela não larga, seus personagens, em sua maioria, não são aprofundados e muitas das coisas que se leem ali são previsíveis. Então o que me permite gostar de ambos? Uma coisa é arte, outra é entretenimento.

Repito: uma coisa não anula a outra². Não é porque leio clássicos que isso me impede de ter um escape, um mundo pra onde fugir, onde eu me permita baixar um pouco a guarda da “crítica literária” que existe dentro de mim. E não é porque eu leio Harry Potter que isso me torna incapaz de apreciar Shakespeare e que eu não devo ir atrás de coisas mais elaboradas. Apenas entendo que cada um tem seu momento e seu objetivo. Quando eu estava na faculdade, cada livro lido passava automaticamente por uma análise formal inconsciente, por algum tempo eu me esqueci de como era ler alguma coisa sem pensar em métrica, estrutura literária, construção de personagem, tramas secundárias... É uma escravidão normativa que, apesar de servir para meus estudos, tira um pouco o gosto de ler algo descompromissadamente.

Então, voltando ao início, por que eu citei filmes mesmo? Ah, porque eles passam igualmente por uma crítica ferrenha de quem se preocupa demais em analisar cada aspecto cinematográfico num pente fino. Os clássicos são importantes, afinal são clássicos por algum motivo (o principal é que, época após época, eles continuam dizendo algo ou foram importantes para se chegar a um aperfeiçoamento de técnicas), mas não é bom esquecer a diversão. Não pense que estou propondo “desligar o cérebro”, afinal ele não vem com controle remoto e nem é uma peça Lego pra ser removido de sua caixa craniana ao bel prazer. Mas, desde que algo não insulte a inteligência de ninguém - coisa que está longe do “intelectual”, que fique claro -, não vejo motivo que impeça alguém de admitir que gostou de algo quando este algo lhe pareceu divertido.

Profundas desculpas pelo texto e pela filosofia paulo-coelhiana, mas a palavra é equilíbrio. Ser inteligente não é sustentar a máscara altruísta pseudointelectual que ilusoriamente nos assegura um degrau acima na evolução humana, mas sim saber dosar conhecimento, intelecto e cultura, coisas distintas e independentes. Uma coisa sem a outra vira uma mala com rodinha estragada. Veja BBB, mas não ache que isso é uma experiência de observação do comportamento humano – é apenas um programa e, a não ser que você seja um dos participantes, não ganha nada com isso. Não veja, mas também não se iluda achando que, por isso, passou duas vezes na fila de neurônios. Luz, luz, luz. Equilíbrio, equilíbrio, equilíbrio. Além do mais:




O BLOG INSIRA ADVERTE: bancar o crítico especialista chato a todo momento pode afastar as pessoas de você.




¹ Que fique claro: o texto trata de gostos, não da discussão de fatos. Ex: Você pode gostar do Paulo Coelho, mas é fato que ele é ruim
.
² Aqui abro uma exceção para Crepúsculo: quem acha isso bom – não quem gosta, veja bem - não pode entender de literatura.

Ninguém quer ler Machado - Parte I¹



* Escrito ao som da trilha sonora de Senhor dos Anéis – A Sociedade do Anel.



Pedro Bandeira: o início.


Meu eu leitor demorou a ser despertado. E, fazendo uma reflexão sobre minhas influências literárias, concluo que sempre tive bons exemplos: meu pai sempre assinou jornais e revistas; quando eu era criança, ele assinava a revista “Turma do Clubinho” (eu teria colocado um link para uma capa, mas a referência é tão antiga que eu não achei, comprovando que estou realmente velha); sempre tive em casa gibis da Disney e da Turma da Mônica. Está no sangue mesmo. Meu próprio pai era colecionador de quadrinhos e revistas foto-novela. E, enquanto você pensa “uaaaaau, foto-novela, que oooold”, saiba que elas fizeram muitas tardes minhas. Ótimas tardes. Aquelas revistas envelhecidas e datadas pelos cortes de cabelo e a moda que denunciavam seus 30 anos, encontradas em uma caixa guardada e esquecida em algum canto da casa dos meus avós, chegaram a mim tardiamente, mas foi incrível ter em mãos algo que meu pai lia muito antes de pensar em se casar e ser pai. E causou uma alergia nunca antes vista na história desta pessoa que vos fala, mas foi legal.

Confesso: nem sempre eu gostei de ler. Não sei bem por quê. Pode ter sido culpa da escola pública que eu frequentei da 2ª à 4ª série, já que lá não se incentivava esse tipo de coisa. Mas também pode ter sido culpa da escola particular em que cursei da 5ª à metade da 7ª série, que, logo no início do ano, passava a lista dos livros a serem comprados para cada bimestre – livros estes sobre os quais os alunos precisavam preencher fichas de leitura (personagem principal, resumo, o que mais gostou, por quê, mimimi, boring ao extremo). Ou ainda, quem sabe, foi trauma de tantas mudanças de escola (depois dessas, vieram outras...). Ah, mas os gibis sempre estiveram comigo, até antes de eu aprender a ler. Assim que comecei a decifrar as primeiras palavras, eu me orgulhava em demonstrar minha nova habilidade, e o primeiro livro que li, também de uma prateleira da minha avó, foi Chapeuzinho Vermelho. Eu li, reli, re-reli, re-re-reli... Mas se alguém tentava me obrigar a ler eu fazia pirraça. Ninguém, a não ser a escola, me obrigou a ler.

Os livros que eu comprava, então, ficavam engavetados no meu quarto e eu passava de ano em português porque escrevia bem e sempre gostei da matéria, porque, se dependesse da literatura, teria sido um fiasco atrás do outro. Então, um dia, minha prima me ofereceu um livro: A Marca De Uma Lágrima, de Pedro Bandeira. Sim, o mesmo contra cuja uma das obras se cometeu a atrocidade de gravar uma adaptação com Sasha no lugar da protagonista e Xuxa vestida de Cinderela da terceira idade. Mas o Pedro Bandeira continua sendo um ótimo autor infanto-juvenil e eu o perdoo por ter permitido que se fizesse isso. Dinheiro é bom e todo mundo gosta, né não? É.

Voltando ao que importa, demorei pra ler o tal livro, mas foi chegando o dia de devolvê-lo para a dona e me obriguei a ler mais pra evitar a vergonha de ter passado um ano com ele do que por vontade (não que eu tenha ficado com o livro um ano por desleixo, por favor, mas porque ela mora longe de mim e me emprestou pra que eu devolvesse da próxima vez que nos encontrássemos). E incrivelmente aquele livro foi devorado em dois dias. Eu levava ele comigo pra todo lugar que eu fosse e não fiz mais nada até terminar. Pronto, descobri que gostava daquilo, gostava de ficar horas e horas desligada do mundo pra dar atenção àquele novo mundo das páginas. Dali em diante, nenhum problema pra ler. Inclusive, resgatei aqueles títulos que a escola me obrigava a comprar só pra fazer a prova e li todos (cabeça dura eu? Imagina!).

Mas chega o ensino médio e com eles os clássicos da literatura brasileira. Revolta! Jorge Amado? Um velho tarado! (Acho isso dele até hoje, desculpa aí.) José de Alencar? Fica enrolando páginas e páginas pra contar aqueles romances cheios de água com açúcar. Modernistas? Gente chata que precisava de uma boa louça pra lavar. Machado? MACHADO? M-A-C-H-A-D-O? O primeiro livro que li dele, por causa do vestibular, foi Esaú e Jacó. Maldita UFPR! Aquele livro foi um trauma, não acontecia nada, quase o livro todo foi feito pra ficar martelando na cabeça das vítimas deste sacripanta que ousou idealizar a ABL pra que hoje velhinhos pseudo-escritores como Paulo Coelho pudessem se reunir para o chá das 17 horas o quanto Pedro e Paulo eram diferentes. E pensar que, segundo disse um dos participantes do Nerdcast, lá fora os alunos têm como leitura obrigatória Senhor dos Anéis (não que o Tolkien não dê um pouco de sono em alguns momentos também... rs).

Então todos estes conceitos e preconceitos criados por mim vieram abaixo. Conheci um professor que sabia de cor (sabia DE-COR) todo o Dom Casmurro. Gente, esta foi minha redenção, o insight que me faltava, mais forte que a revelação dos segredos de Fátima, mais apoteótico que a destruição da Estrela da Morte, mais emocionante que o Sam carregando o Frodo rumo à destruição do Um Anel (espero ter colocado referências suficientes).

Aquilo mudou minha vida...



(Continua em 2010...)




¹ Este é o título do meu futuro-livro, ainda sem nem um capítulo escrito, mas idealizado na minha cabeça, ideia que devo à Cela(@cela26).

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